29 de Setembro de 2022 | Coimbra
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Voluntários regressam ao IPO para apoiar e confortar doentes e familiares

25 de Junho 2021

Depois de um ano de grandes dificuldades e tantos condicionalismos, o Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro recomeça, paulatinamente, muitas das atividades que se viu obrigado a cancelar, tendo mantido, contudo, os possíveis apoios aos doentes oncológicos e familiares. Os voluntários estão agora de regresso aos hospitais, onde a sua ausência tão sentida foi, e recomeçam também as caminhadas, esses “pequenos grandes passos” tão importantes para darem “mais tempo à vida”.

Mais de 50 voluntários do Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC-NRC) regressaram já ao Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra, depois de tantos meses de ausência devido à pandemia da covid-19. Considerado um apoio e um conforto excecional para os doentes e familiares que se deslocam a esta unidade hospitalar para as consultas e tratamentos, os voluntários retomaram todas as atividades que estavam suspensas desde novembro e que, na sua essência, visam contribuir para a humanização da assistência ao doente oncológico.

Testados e salvaguardando os procedimentos individuais de proteção, os voluntários acompanham os doentes e familiares no acolhimento, ajudam-nos a orientar-se pelos vários serviços, oferecem refeições ligeiras nas salas de espera das consultas e tratamentos (continuando com os kits fechados) e têm sempre uma palavra amiga e de esperança para quem se depara com as preocupações naturais da doença.

Natália Amaral, secretária-geral do Núcleo Regional do Centro da LPCC, recorda que “estavam todos ansiosos” por este regresso, tanto os voluntários como os doentes e os profissionais de saúde. Houve sempre uma articulação de grande proximidade com os Conselhos de Administração dos dois hospitais onde mantinham as equipas de voluntariados – IPO e Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) -, uma vez que todos ansiavam pelo regresso mas queriam garantir que este sucedesse “com a máxima segurança”. Para já, as equipas regressaram apenas ao IPO, aguardando que estejam também reunidas as condições para que possam retomar o trabalho nos HUC brevemente.

“Mantivemos sempre a nossa presença e o nosso trabalho, mas de forma diferente. Nos hospitais continuamos a entregar kits alimentares mas faltava aquela palavra amiga, o guia que orientava e acompanhava o doente e os familiares”, realça.

Natália Amaral frisa que esse acompanhamento “é muito importante, porque um utente chega ao hospital e sente-se perdido, porque encontra sempre um mundo desconhecido”. Neste momento, são mais de 50 os voluntários que estão já no “terreno”, a grande maioria já vacinado e outros com pelo menos uma dose tomada. São cerca de metade dos que integravam esta equipa antes da pandemia, uma diminuição que se justifica não com “a falta de vontade de ajudar” mas antes com os “condicionalismos e riscos que alguns voluntários têm”, tanto devido à idade como a alguma patologia de que padecem.

“Reiniciámos com uma forte esperança de que não voltaremos a confinar e de que, realmente, podemos proporcionar aos doentes e às famílias o conforto, o carinho e o apoio que precisam e que sempre lhes demos”, assegura. Considera que para o voluntário oncológico esta é “uma missão de amor”, onde “se coloca ao dispor do doente, esquecendo-se de si mesmo”. São essencialmente, como explica, pessoas que “já lidaram muito de perto com a doença”, que “a compreendem muito bem” e que “sentem que recebem mais do que aquilo que dão ao próximo”.

Pedidos de ajuda aumentaram em todos os serviços

A covid-19 agravou fortemente a situação de muitas famílias. Natália Amaral diz que é evidente “uma maior fragilidade”, o que se manifestou no crescente número de pedidos de ajuda. A área social foi a que registou um maior crescimento, com os pedidos a aumentarem 30 por cento desde o início da pandemia, sendo muito sentida a necessidade de transportes, medicamentos e outros apoios apoios de ordem económica. Houve também um aumento dos pedidos de ajuda psicológica, uma vez que a pandemia veio trazer ainda maiores preocupações aos doentes e familiares. As assistentes sociais dos dois hospitais mantiveram-se sempre disponíveis, fora do ambiente hospitalar, para consultas online ou presenciais, mediante a urgência de cada situação, tendo havido mesmo um reforço nas consultas e o cuidado de poderem ser realizadas sem grandes demoras.

Verificou-se também um aumento de pedidos de materiais, como perucas, próteses, entre outros. “Todos os serviços da Liga tiveram um aumento de procura, tanto online como presencialmente. Houve um aumento de apoio em todas nossas áreas de atuação, sendo esse aumento mais evidente no apoio social”, realça, recordando que a LPCC depende, acima de tudo, da solidariedade da comunidade e apelando a todos os que possam para ajudar.

Caminhadas voltam a unir região

Uma das formas de apoiarem é aderindo às caminhadas “Dou mais tempo à vida – juntos venceremos o cancro”, que vão decorrer em todos os concelhos da região Centro, até setembro, para angariar fundos para os projetos da LPCC e, ao mesmo tempo, incentivarem à promoção de estilos de vida saudáveis. Nesta zona, estão já marcadas caminhadas para a Figueira da Foz, a 25 de julho, e para Montemor-o-Velho, a 1 e 8 de agosto.

Com a pandemia, surgem num novo modelo, substituindo as habituais caminhadas solidárias na comunidade pela prática de exercício físico de forma individual ou em pequenos grupos. As inscrições podem ser feitas junto dos Grupos de Voluntariado e têm um custo de cinco euros, valor que reverte, na íntegra, para a LPCC-NRC.

“Podemos caminhar sozinhos, em família, com alguns amigos… O que interessa é vestir a camisola da Liga e dizer que, naquele momento, está a caminhar por esta causa”, convida Natália Amaral, acrescentando que estas caminhadas se inserem nas comemorações dos 80 anos da LPCC, completados em abril mas que vão ser assinalados ao longo de todo o ano, estando previstas “muitas surpresas” para outubro.

Natália Amaral realça que o apoio da comunidade é fundamental para a Liga continuar a assegurar este trabalho que já mantém há 80 anos e deixa uma mensagem de sensibilização a todos, para que reforcem as medidas de prevenção, uma vez que a tendência é para que a prevalência da doença continue a aumentar nos próximos anos, sendo certo que “não atinge só os nossos vizinhos”.

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“O sorriso do doente é a nossa maior recompensa”

Acácio Marcelo, 71 anos, é um dos mais de 50 voluntários que já retomou a sua atividade no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra. Assume que estava “muito desejoso de voltar” a esta função que desempenha com amor há cerca de sete anos. Contabilista de profissão, acabou por mudar-se de Anadia para Coimbra por motivos familiares e foi aí que começou a procurar uma forma de “poder fazer mais alguma coisa em benefício dos outros”. Foi assim que conheceu o Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC-NRC).

Sete anos depois, encara esta “missão com amor e entrega ao próximo” e diz que ficou “muito feliz” quando foi agora chamado para regressar ao IPO. “Estava ansioso para retomar. Penso que tinha todas as condições para o fazer e não olhei para trás”, conta.

Para Acácio Marcelo ser voluntário hospitalar é “dar um bocadinho de nós a quem mais precisa, é tentar minimizar o sofrimento dos doentes” e ajudá-los de todas as formas que forem possíveis, nem que seja apenas “garantir que não estejam sós”. E há muitos casos em que os doentes chegam sozinhos aos hospitais, trazidos pelos bombeiros mas sem qualquer familiar ou amigo que os acompanhe.

Acácio Marcelo diz que “esses são os casos que tocam mais”, sendo também mais evidentes neste contexto da pandemia. Os próprios bombeiros sabem que podem contar com os voluntários. Sabem que, como diz Acácio Marcelo, “estamos lá para os acolher, confortar e acompanhar”.

“É esta a nossa missão”, reforça, garantindo que “o sorriso do doente é a nossa maior recompensa”.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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