O consórcio Lusolav apresentou publicamente a sua proposta para o segundo troço da linha de alta velocidade (Oiã-Soure), que passa por uma reconfiguração da entrada em Coimbra mantendo a localização da estação em Coimbra-B e evitando assim 45 demolições na zona suburbana.
Ao contrário do concurso anterior, em que o consórcio havia proposto deslocalizar a estação para Taveiro, o novo plano cumpre o caderno de encargos e aposta num edifício ponte para servir a Linha do Norte e alta velocidade, prevendo também a construção de instalações para a Infraestruturas de Portugal, espaços de escritórios, parque de estacionamento adaptado ao risco de cheias e intervenções de requalificação paisagística para proteger a biodiversidade.
A grande alteração em relação ao projeto original da Infraestruturas de Portugal passa por abandonar a duplicação da Linha do Norte entre Taveiro e Coimbra-B, criando, em alternativa, uma ligação em “Y” a norte de Coimbra-B, junto à Adémia.
Esta alteração força os comboios provenientes do sul a subir até à Adémia antes de descerem para a futura estação, uma manobra que, segundo explicou Paulo Gomes, representante do grupo, permitirá evitar 45 demolições nas zonas de Taveiro, Casais, Espanadeira e Bencanta.
A solução visa ainda minimizar o impacto nas habitações vizinhas, facilitar as operações ferroviárias durante a obra e reduzir a pegada ambiental na área a sul da estação, junto à Mata Nacional do Choupal.
O presidente da União de Freguesias de Taveiro, Ameal e Arzila, Cândido Malva, e o ambientalista Miguel Dias (da associação Climação Centro) elogiaram a forte redução do número de expropriações e o menor impacto no Choupal.
O especialista em urbanismo e docente da Universidade de Coimbra, João Bigotte, considerou a apresentação “extemporânea” por ocorrer em plena fase de avaliação de propostas. O docente alertou ainda que transformar a passagem por Coimbra num “ramal em Y” rebaixa a importância do serviço prestado à cidade e pode retirar atratividade às paragens na estação.
O concurso, cujo prazo de submissão terminou no início do mês, conta também com a concorrência de um consórcio liderado pela espanhola Sacyr, juntamente com a DST e a Alberto Couto Alves.