Celebrámos, no domingo, o Dia da Poesia. Enalteçamos a poesia e os poetas, já que a vida é, em si, um poema. Um poema amargo, ou, pelo contrário, um poema exaltante. Mas é sempre um poema.
Sou um poeta amador, alguém que «poetiza». Tenta «versejar».
Dizem que os poetas são loucos, visionários, sonhadores. Serei? Posso ser tudo isso, sim, mas também, porventura, serei um abismo profundo apinhado de sensações. O poeta, o dito poeta, é sempre alguém que tenta agarrar tudo aquilo que os outros (os ditos não poetas) sentem, mas dificilmente conseguem colocar no papel.
O amor… ah! O amor! Não seria um legítimo poeta, ainda que mau poeta, aquele que não ousasse debruçar-se sobre as lágrimas e as alegrias de um verdadeiro amor.
Ouçamos Tom Jobim:
Ah, quem me dera ser poeta
Pra cantar em seu louvor
Belas canções, lindos poemas
Doces frases de amor
Aos poetas anónimos, ditos sem valor, e aos nomeados, às poesias reconhecidas e àquelas guardadas e esquecidas nas gavetas, para esses todos, Florbela Espanca escreve:
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É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
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E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Isto é ser poeta.
E Fernando Pessoa apresenta-nos a outra faceta do poeta, o não ser desmedidamente ambicioso. E o querer estar só, para nessa solidão poder abarcar o infinito.
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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.
Viva a poesia!
