11 de Setembro de 2026 | Coimbra
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Rua da Sofia encerrou história secular e escreve agora novo capítulo

11 de Setembro 2026

Iniciou ontem, dia 10 de setembro, uma nova fase em Coimbra. A Rua da Sofia, uma das mais emblemáticas e estruturantes vias da cidade, iniciou uma transformação histórica ao passar a apresentar-se com um novo modelo de mobilidade urbana.

Com a expansão do sistema Metrobus às ligações diretas a Coimbra-B e à Praça da República, a circulação do trânsito automóvel geral deixa de ser permitida nesta artéria, dando lugar a um canal central prioritariamente dedicado ao transporte público de alta frequência.

A alteração, que estava prevista há cerca de 15 anos, resulta de uma profunda articulação entre a Câmara Municipal de Coimbra, a Metro Mondego e os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC).

Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, fez questão de destacar o esforço coletivo por trás desta conquista. “Trabalhámos décadas para chegar ao dia de hoje, envolvendo vários executivos municipais e empresas de transporte num processo de profunda mudança na mobilidade urbana”.

A autarca reconheceu abertamente os receios legítimos dos cidadãos, mas sublinhou a inevitabilidade da transformação. “No início, as pessoas naturalmente têm dúvidas e receiam porque mudam os seus hábitos, mas ninguém compreenderia que fizéssemos um investimento no metrobus que ultrapassa os 200 milhões de euros e tudo ficasse igual”.

 

Acessos locais e dinamização do comércio na Baixa

Apesar da prioridade concedida ao transporte público, a autarquia assegura que a rua não fica de todo fechada a quem nela vive, trabalha ou necessita de aceder à zona, criando assim uma Zona de Acesso Automóvel Condicionado (ZOC).

Mantêm-se totalmente garantidos os acessos para residentes autorizados, através de cartões de acesso que passarão a ser eletrónicos no final do ano, bem como para operações de cargas e descargas, que serão permitidas entre as 6h00 e as 10h00 e as 20h00 e a 1h00 e devem ocorrer nas zonas definidas para esse efeito, serviços essenciais e veículos de emergência.

Da mesma forma, a deslocação ao comércio local, ao Mercado D. Pedro V, às farmácias de serviço ou aos parques de estacionamento circundantes (como o do Arnado) continua a ser totalmente possível de automóvel. Ana Abrunhosa sintetizou a visão da autarquia ao declarar que o objetivo central passa por “abrir a Baixa às pessoas, ao comércio e ao lazer”, oferecendo passeios mais largos e ruas mais vividas, sem vedar o acesso a quem realmente necessita de utilizar o carro.

 

Menos tempo de espera e mais oferta

A reestruturação do trânsito na Baixa justifica-se pela elevada intensidade e capacidade da nova oferta pública no canal central, onde os veículos do Metrobus vão circular com uma frequência notável de apenas 2,7 minutos, num total superior a 450 circulações diárias combinadas com a frota dos SMTUC.

A autarca enfatizou que seria inviável manter os veículos privados na mesma artéria por razões estritas de segurança e gestão de congestionamento, prometendo, contudo, uma monitorização contínua para efetuar todos os ajustamentos que se revelem necessários.

Novas paragens vão ser implementadas, como na Avenida D. Sesnandes Davides, junto à Loja do Cidadão, e nas ruas Antero de Quental e Guerra Junqueiro, assegurando a cobertura de novos percursos.

As linhas 4, 7, 10 e 103 passam a estabelecer interface com o Metrobus na Praça da República. Já as linhas 25, 25T, 30 e 30T passam a terminar no Arnado, a partir de onde os passageiros poderão aceder ao novo corredor de transporte público.

O presidente da Metro Mondego, Leonel Serra, garantiu que, nas horas de ponta, os tempos médios de espera serão fixados estritamente nos cinco minutos. O responsável adiantou ainda que a expansão da rede até aos Hospitais da Universidade de Coimbra e ao Hospital Pediátrico deverá estar concluída no final do primeiro trimestre de 2027, com estudos já em curso para futuras expansões.

 

Passe intermodal Move-C em outubro

A grande revolução na mobilidade regional culmina no dia 1 de outubro com a entrada em funcionamento do passe intermodal Move-C. O novo título de transporte vai permitir aos utentes utilizar, com o mesmo bilhete, os autocarros dos SMTUC, o Metrobus e os comboios da CP na Região de Coimbra, Busyway estando também em curso os trabalhos para integrar o futuro sistema municipal de bicicletas partilhadas.

Numa estratégia pensada para poupar tempo e encorajar a utilização dos meios públicos em detrimento do carro particular, os horários dos diferentes operadores foram cuidadosamente sincronizados com as chegadas e partidas da estação ferroviária de Coimbra-B, permitindo que o transbordo entre o comboio, o metro e o autocarro exija apenas escassos minutos de caminhada.

Ana Abrunhosa sublinhou que esta transformação assenta numa rede integrada de vários operadores, com o intuito final de permitir às pessoas vir ao centro com maior fiabilidade e conforto, renovando os agradecimentos aos anteriores executivos e governos que tornaram possível avançar para bem de toda a população.

 

Rua da Sofia mais pedonal e com esplanadas

A respetiva imagem aqui exposta foi divulgada pelo município de Coimbra e mostra a futura face da Rua da Sofia, projetada para priorizar os peões e o convívio urbano.

A mudança principal ilustrada é o estreitamento significativo da faixa de rodagem central. Esta alteração, em linha com os planos da autarquia, visa permitir apenas a circulação de veículos estritamente autorizados e transportes públicos. O objetivo é libertar espaço, reduzindo drasticamente o fluxo e o estacionamento de automóveis particulares na rua.

As projeções sugerem que, com menos espaço dedicado aos carros, a Rua da Sofia ganhará amplas zonas para a circulação de pessoas. Mas o plano vai além do simples trânsito pedonal. Pela imagem é visível a intenção de transformar a rua num local de permanência e convívio, com espaço para as pessoas se sentarem e desfrutarem do ambiente urbano.

Um dos elementos chave desta revitalização é o incentivo à instalação de esplanadas. A autarquia já decidiu isentar o comércio local de taxas para esplanadas até ao final deste ano. “Até final do ano não vamos cobrar taxas de esplanadas, é um incentivo aos comerciantes”, garantiu Ana Abrunhosa, clarificando a intenção de apoiar a economia local durante este período de transição.

A medida, concebida para encorajar os estabelecimentos a ocupar o novo espaço pedonal disponível, será revista no início do próximo ano. A autarquia não exclui a possibilidade de manter a isenção, caso a experiência se revele positiva e justifique a sua continuidade.


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