A FAGIC – Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Taveiro abriu portas ontem para a sua 11.ª edição e para quatro dias que prometem transformar o recinto feiral de Taveiro no ponto de encontro por excelência da freguesia e de toda a região envolvente.
Apresentando-se nesta edição com uma imagem renovada, um layout modernizado e uma aposta cultural reforçada para atrair públicos de todas as idades, a feira volta a encontrar no associativismo local o seu verdadeiro motor e espinha dorsal.
Mais de 20 associações locais marcam presença ativa na FAGIC. Quer seja através da dinamização das tradicionais tasquinhas gastronómicas, da preservação e divulgação do artesanato e da memória etnológica, da promoção do desporto de alta competição ou do fomento das artes teatrais e da formação cultural, estas coletividades representam a alma das populações de Taveiro, Ameal e Arzila.
“O Despertar” falou com algumas associações que marcam presença neste evento e para as direções que falamos, a FAGIC é muito mais do que um espaço de exibição. Trata-se do momento central de convívio com a comunidade e da principal fonte de receita para garantir a sustentabilidade financeira dos seus projetos ao longo do ano.
Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila
Presente na FAGIC desde a primeira edição, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila assume este ano uma participação focada exclusivamente na vertente cultural e pedagógica. Deixando de lado a habitual tasquinha de anos anteriores, o grupo marca presença com um stand de divulgação centrado na salvaguarda e promoção da manufatura tradicional da esteira de junção e bunho.
Esta atividade artesanal é um elemento identitário fundamental da vila de Arzila, profundamente ligado à Reserva Natural do Paúl de Arzila. Segundo explicou António Gabriel, presidente do Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila, o trabalho desenvolvido nesta área “ajudou as pessoas de Arzila a sobreviver nos tempos mais difíceis, porque a esteira era um complemento económico para o rendimento que as pessoas tinham e que era escasso”.
O grupo trabalha atualmente com a União de Freguesias e com a Câmara Municipal de Coimbra para inscrever a feitura da esteira no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
Sobre as expectativas para a feira deste ano, o dirigente antevê um certame marcante. “Eu espero que seja uma edição de sucesso, que junte muitas pessoas, a programação acho que é atrativa e o número de participantes com certeza que atrairá muito público, muitos visitantes. É isso que interessa num certame desta natureza”.
Centro Social Polivalente de Vila Pouca do Campo
Dinamizador do tecido comunitário do lugar de Vila Pouca do Campo, o Centro Social Polivalente de Vila Pouca colabora com a FAGIC desde a sua génese, há mais de uma década. Sem secções artísticas ou folclóricas ativas, a coletividade concentra o seu esforço na gestão de uma tasquinha tradicional, onde confeciona pratos antigos e doçaria típica.
A ementa deste ano voltará a destacar pratos emblemáticos como a sopa da pedra e o arroz doce. A presença na FAGIC reveste-se de enorme importância financeira, uma vez que as receitas obtidas suportam a manutenção e as despesas fixas, como a água, luz e conservação, das instalações do centro social, mantendo-as operacionais e disponíveis para usufruto de toda a população da freguesia.
Carlos Carvalho, presidente interino do Centro Social, sublinha o impacto desta participação. “A participação na feira é uma base de apoio muito importante para nós, porque nós temos lá umas instalações que necessitam de manutenção e que têm despesas fixas. A ideia que fazemos de ano para ano na FAGIC é sempre com a intenção e o objetivo de melhorar. Este ano o cartaz é bastante apelativo, espero bem que as pessoas adiram e venham conhecer a União de Freguesias de Taveiro, Ameal e Arzila”, frisou.
O dirigente aproveitou a ocasião para deixar um apelo à juventude local para que se junte aos órgãos sociais da associação na assembleia eleitoral que se realizará logo após a FAGIC, garantindo a continuidade do projeto social, mostrando que é preciso gente nova.
Loucomotiva – Grupo de Teatro de Taveiro
A comemorar o seu 58.º aniversário, a Loucomotiva – Grupo de Teatro de Taveiro é uma referência incontornável no panorama cultural da região. A associação vive uma fase de enorme expansão, contando atualmente com 164 alunos com idades compreendidas entre os cinco e os mais de 60 anos, distribuídos por quatro turmas de teatro e duas de dança contemporânea.
“Este ano realmente estamos com um bom número de alunos e ainda com tendência para crescer, sobretudo na dança contemporânea, em que podemos ainda receber mais alunos”, revelou Luíz Serrano, presidente da Loucomotiva.
Na FAGIC 2026, a Loucomotiva estará presente com um stand institucional para divulgar a sua programação de espetáculos (já preenchida até dezembro), promover as suas oficinas, esclarecer dúvidas de novos alunos e interagir com o público. A coletividade prepara já a reposição da sua mais recente produção para os dias 25, 26 e 27 de setembro no seu Teatro Loucomotiva, além do habitual espetáculo de Natal.
Para o presidente, a edição deste ano da FAGIC esta mais robusta. “Esta FAGIC está com uma roupagem nova em muitos aspetos, a começar pelos stands e com um figurino bastante apelativo, obviamente. Esperamos que sejam quatro dias muito intensos. A perspetiva da Loucomotiva é exatamente a de uma grande afluência e de mostrar que o grupo está vivo e bem vivo”, disse. A Loucomotiva reafirma assim o seu papel como polo dinamizador de formação e criação artística descentralizada.
Clube Motard CBR
A celebrar 10 anos de existência, o Clube Motard CBR distingue-se pelo seu carácter familiar e pelo forte envolvimento na vida comunitária de Taveiro. Composto por cerca de 20 membros efetivos, o clube gere há dois anos a sua sede na antiga Casa do Padre e dinamiza regularmente passeios, ações solidárias e atividades em dia especiais, como o Dia da Criança. “Nos fazemos algumas atividades, as pessoas vão entrando, vão conhecendo e quando acharem que é o momento certo para integrar o Clube, e nós também, fazemos a subida a membro”, revelou o presidente Miguel Pereira.
Presente na FAGIC pelo quinto ano consecutivo, o clube volta a dinamizar uma concorrida tasquinha de petiscos e refeições. O menu inclui opções diárias de carne e peixe para almoço e jantar, destacando-se na vertente de petiscos da tarde com iguarias tradicionais como moelas, pataniscas, petingas e tripas. As receitas angariadas garantem o sustento orçamental da sede e o investimento nas atividades solidárias ao longo do ano.
Miguel Pereira perspetiva o certame deste ano com grande entusiasmo. “Para além do encaixe financeiro que dá para fazer face às despesas como qualquer associação tem, a outra parte positiva é darmos à comunidade o que fazemos. Os últimos anos foram positivos, mas acredito que este novo refresh, o novo layout, novo design e a aposta em artistas diferenciados vão fazer desta FAGIC um sucesso absoluto”, afirmou.
Secção de Atletismo Ameal Trail
Criada em 2023, a Secção de Atletismo Ameal Trail estreia-se este ano com um espaço próprio em nome individual na FAGIC. A participação simboliza a afirmação e o crescimento notável do projeto desportivo que tem levado o nome do Ameal a nível nacional e internacional.
No seu stand, a associação dará a conhecer a estrutura e o trabalho por detrás da organização dos seus grandes eventos. O grande destaque promovido na feira será a Meia Maratona do Ameal – Arte e Meios, que decorre no dia 27 de setembro de 2026. A prova de 21,097 km, homologada pela World Athletics, conta já com mais de 1.600 atletas inscritos representando 25 nacionalidades. A este evento junta-se o Ameal Trail, que na sua última edição atingiu o limite de 1.187 atletas e cuja próxima edição está agendada para 10 e 11 de abril de 2027.
Telmo Santos, presidente da Secção, mostrou entusiasmo em marcar presença na FAGIC e sublinha que todos vão poder conhecer o trabalho do Ameal Trail. “ Estar na FAGIC 2026 representa muito mais do que estar presente numa feira. Representa mostrar aquilo que a Secção de Atletismo Ameal Trail conseguiu construir. Queremos que quem passe pelo nosso espaço perceba que há projetos que nascem numa terra pequena, mas que podem sonhar muito grande. É isso que queremos continuar a fazer, levar o nome do Ameal mais longe, sem nunca esquecer de onde viemos”.