22 de Agosto de 2026 | Coimbra
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Pedro Falcão

Racismo e xenofobia

10 de Julho 2026

O que carateriza o racismo e a xenofobia, enquanto atitudes que se complementam, em primeiro lugar, são as diferenças biológicas como fundamento da superioridade de uma raça e de agressão a todas as que são diferentes; depois, é o medo perante a invasão de culturas nacionais por elementos estranhos: há a tendência para a preservação da identidade nacional e da pureza rácica, linguística, religiosa e cultural;  há ainda a concorrência de trabalhadores nacionais com imigrantes a postos de trabalho e benefícios sociais, numa provável conjuntura de recessão e desemprego.

O racismo e a xenofobia nascem de sentimentos de intolerância, desprezo e ódio, promovendo-se a segregação pela preservação do “puro sangue” e das culturas nacionais. Eles estão assentes em preconceitos e estereótipos que se criam sobre diferentes grupos e são alimentados por certos partidos políticos, movimentos neonazis e campanhas de alguma comunicação social contra estrangeiros. O racismo e a xenofobia são atitudes relacionadas com comportamentos do mundo contemporâneo, mundo materialista e tecnocientífico, que se caraterizam pela total ausência de valores tradicionais, o desrespeito pelo “outro” e o seu tratamento como coisa (dá-se a coisificação do outro), numa competição desenfreada: é a afirmação cada vez maior do egoísmo e ausência de escrúpulos. Assim, a tradicional “luta de classes”, no sentido económico, dá atualmente lugar, nalgumas sociedades, à luta de raças. Segundo o filósofo português Miguel Baptista Pereira, o racismo e a xenofobia levam a “uma construção depreciativa do outro, sendo uma doença social”. E, por isso, “numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista” (Ângela Davis).

Contra as atitudes racistas e xenófobas, deve reconhecer-se que o “outro”, mesmo diferente, é um valor e de que tem uma dignidade própria. Sendo deste modo, as relações interpessoais devem ser, então, relações de interdependência, de proximidade e de compromisso face ao “outro” e não de ataque, ódio e desprezo. Temos de aprender a viver nas sociedades multiculturais, como é a nossa e muitas outras, e aceitar a diferença, tolerando outras práticas culturais, (desde que não ponham em causa a dignidade humana e a liberdade individual) é um dever de todos nós. O racismo e a xenofobia são a denegação da Pessoa que cada um de nós, humanos, é. E como Pessoas devemos ser respeitados no que somos, independentemente da personalidade de cada um e da sua cultura ou raça. Cabe-nos também, enquanto civilização, preparar, pela educação, as crianças e jovens para que eles superem as atitudes de racismo e xenofobia, e ter esperança de que possam criar uma sociedade futura mais justa, solidária e tolerante e onde o preconceito e o ódio não tenham destaque. Como disse Nelson Mandela, “Ninguém nasce a odiar outra pessoa pela cor de pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam de aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.”


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