Foi a 9 de junho de 2017 que marcharam pela primeira vez e a partir daí vão marchando até não conseguirem mais. A Marcha de S. Martinho do Bispo nasceu de uma brincadeira entre vizinhos e agora é uma das mais acarinhadas de Coimbra.
A adesão aquando do nascimento deste projeto foi o que mais impressionou Bruno Santa, diretor da Marcha de S. Martinho, porque “esta freguesia nunca adere a nada e não aprecia este tipo de iniciativas, mas ficamos deveras felizes quando vimos que os nossos conterrâneos queriam fazer parte desta família”.
“Nós íamos espalhando informações pelas ruas dos sítios por onde íamos andar e acho que foi isso que atraiu o nosso povo e agora somos o que somos hoje e temos um orgulho em ter criado esta característica que agora faz parte desta região”, realça.
O início do sonho
Numa fase inicial e tendo em conta a experiência que Bruno Santa já tinha pela sua participação em marchas, desde os seus três anos, começaram a ensaiar as primeiras marcações (danças marchantes), usaram fatos e músicas antigas. Atualmente, os espetáculos realizados são criados pelos próprios desde as danças ao traje por eles utilizado.
Em 2016 começaram as pequenas atuações nas iniciativas promovidas pela Junta de Freguesia, como na feira das sopas, feira do Magusto, nas vendas de bolos e dançavam porta-a-porta todos os sábados desde setembro até junho, com o propósito de angariarem fundos para conseguirem ter uma Marcha de renome.
“Em 2017 conseguimos fazer o nosso primeiro espetáculo com o apoio da Junta que colabora sempre”, conta-nos.
Neste momento, a Marcha é composta por dez pares de dança, contudo antes da pandemia eram 16, “pois as medidas de combate ao vírus fizeram com que os nossos marchantes acabassem por sair, devido ao receio da contração da covid-19”, desabafa Bruno Santa.
Apesar dos entraves que têm vindo a ser colocados pela situação pandémica atual, a marcha sairá para a rua a partir de 10 de junho, e tendo em conta o que irão apresentar e com a queda das medidas obrigatória da DGS, o gestor da marcha acredita “que podem vir a ser novamente 16 pares”. O propósito com as novas músicas, fatos e atuações é captar mais gente, principalmente mais homens “porque é composta maioritariamente por mulheres”, sendo que as idades compreendidas dos marchantes variam entre os nove e os 70 anos.
A freguesia de S. Martinho do Bispo vai marchar às inúmeras regiões que compõem o distrito de Coimbra, como Cantanhede, Cernache e Soure, fazendo também visitas aos lares de idosos.
Perspetivas de futuro
“Nós queremos ir a todo o lado. Se nos convidarem e nós tivermos possibilidade de ir, nós vamos”, explica o marchante.
Defendem como propósito principal da criação da marcha a promoção da freguesia e das suas gentes, pretendem que o “nome de S. Martinho do Bispo esteja na boca de cada português seja cá dentro ou lá fora”, confessa ao Despertar Bruno Santa.
A sensação de estar em frente a tanta gente é o que normalmente assusta, mas aos Marchantes de São Martinho “apesar dos nervos é a sensação de dever cumprido” e esclarece que ficam “nervosos, mas quando a caixa começa a tocar é sempre a marchar, com uma sensação de alegria e orgulho em representar a freguesia, que tanto amor lhes dá”.