11 de Setembro de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

O Meu Avô Ferreiro

11 de Setembro 2026

(prosa-verso)

O meu avô era ferreiro,

Batia o ferro de manhã até à noite,

No Verão suava, suava em bica,

E eu criança, olhava-o sem dizer uma palavra.

Tinha pena do meu avô,

P´ra ganhar a vida,

Tinha de suar, sempre a suar.

Eu olhava-o triste e pesaroso,

Cada pancada no ferro era uma nota musical,

Todas as vezes que criava uma peça era poesia.

Quase todas as vidas têm poemas,

Depende da cor dos poemas que a vida escreve.

A vida do meu avô não era poema, era um novelo.

E eu redijo sobre as vidas feitas de novelos,

Hoje chegou a vez de escrever sobre os novelos do meu avô.

Cheira-me à minha infância,

Como se os aromas das batidas no ferro se escrevessem.

O meu avô calado, permanece a malhar o ferro,

Pelas suas rugas cavadas continua a correr suor.

Eu nunca soube desenhar,

Senão esboçava as rugas do meu avô.

Passados tantos anos, só hoje escrevi sobre o meu avô,

É que eu avô, não garatujo quando quero,

Hás vezes fico anos á espera que abeirem as palavras,

P´ra contar as tuas batidas no ferro quente.

Por isso avô, perdão, por só agora escrever sobre ti.


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