SOCIAL | O NAU Coffee abriu, em dezembro, um novo espaço na cidade. Em pleno coração da Baixa de Coimbra, o aroma a café não é indiferente a quem por lá passa. A localização estratégica tem em vista reforçar a proximidade com a comunidade local e atrair novos públicos.
O número 23 da Rua Visconde da Luz, na Baixa de Coimbra, é, desde o passado mês de dezembro, a casa do novo espaço do NAU Coffee. Depois de se afirmar no Terreiro da Erva, numa primeira fase, e, posteriormente, na Rua Borges Carneiro, o conceito dá agora um novo passo, onde o café de especialidade continua a ser o grande protagonista.
“Quis voltar às origens e abrir um espaço pequeno, focado apenas no café de especialidade, produtos caseiros/locais, e apostar no take-away”, explica Francisco Madeira, proprietário do “NAU Coffee”, em declarações ao “O Despertar”. O conceito único e inovador que trouxe para a cidade de Coimbra tem inspiração alemã.
Foi na Alemanha que o jovem descobriu o universo Speciality Coffee (Café de Especialidade) que, ao ser certificado pela SCA – Specialty Coffee Association (Associação de Cafés Especiais), não engana no que diz respeito à qualidade. Quando regressou a Portugal, Francisco Madeira trouxe esta descoberta consigo e deu vida à ambição de criar, em Coimbra, um projeto onde pudesse trabalhar com os melhores cafés do mundo.
Negócio tem vindo a crescer
Começou no Terreiro da Erva, num espaço pequeno focado em bebidas de cafetaria. Depois, surgiu a oportunidade de mudar o NAU Coffee para um sítio maior: a Rua Borges Carneiro. Nesse local, ao café de especialidade, o proprietário juntou também o brunch, atraindo um público que vai desde os estudantes aos turistas. “Trabalhamos muito bem, até surpreendentemente bem à hora do almoço, com refeições ligeiras”, refere.
Mais recentemente, a iniciativa cresceu e chegou também à Rua Visconde da Luz. Ali, o espaço é mais reduzido, com apenas 15 lugares no interior. “O foco será mais o local, os trabalhadores da zona e o turista que está de passagem”, conta Francisco Madeira.
O turismo tem sido uma mais-valia para qualquer um dos espaços do NAU Coffee, sobretudo, porque o café de especialidade é um produto já muito conhecido no estrangeiro, “o que faz com que os turistas que vêm a Coimbra nos procurem ainda mais, porque a típica cultura de café português é um bocado diferente da cultura a que eles estão habituados”, sublinha.
Em Portugal, o conceito também já está bem solidificado no Porto e em Lisboa. No entanto, é algo novo na cidade de Coimbra e, por isso, Francisco Madeira não esconde que o negócio traz consigo inúmeros desafios. “Como é um produto ligeiramente diferente, tivemos que nos focar na qualidade do nosso café, mas tivemos que completar isso com uma variação de bebidas mais conhecidas, que estão presentes em cadeias internacionais, como, por exemplo, o Starbucks, de forma a conseguirmos captar atenção e clientes para o nosso espaço”, confessa o jovem.
De acordo com o proprietário, o café de especialidade teve de ser adaptado à cidade de Coimbra que, pelas suas características, se distingue do Porto ou Lisboa. Contudo, não foi por isso que conquistou menos adeptos. Pelo contrário, “temos notado que, aos poucos, estamos a conseguir chegar a mais locais; estamos a conseguir dar-lhes a provar o nosso produto, que é bastante diferente do café que se encontra num café típico português; e estamos quase que a formar, ou a educar, a pessoa para o nosso café”, salienta.
“Era algo que fazia falta à cidade”
O balanço da atividade do NAU Coffee não podia ser mais positivo. Desde a abertura no Terreiro da Erva até ao mais recente espaço na Rua Visconde da Luz, o negócio tem recebido vários elogios e são muitos os clientes que enviam mensagens ao proprietário “a agradecer por abrirmos um conceito assim em Coimbra. Era algo que, de facto, fazia falta à cidade”, expõe.
A juntar à oferta que o diferencia dos demais, o espaço destaca-se ainda por apostar na proximidade com o cliente, algo que, segundo Francisco Madeira, é uma mais-valia. “Sítios que sirvam café há muitos; sítios que sirvam café de especialidade também vão começar a haver mais; e nós temos que nos diferenciar”, admite. Acrescenta, por isso, que “o NAU se diferencia pela simpatia do atendimento, pela abertura do colaborador em falar com os clientes, explicar, fazê-los sentirem-se em casa, e criar uma espécie de laço familiar”.
Uma relação que, em muitos casos, já vem desde o Terreiro da Erva, o que resulta em clientes habituais que, muitas vezes, trazem novas pessoas para conhecer o NAU Coffee. O proprietário não tem dúvidas de que o passa-a-palavra é a melhor publicidade para um negócio desta natureza. “Nós tivemos que fazer um bom marketing nas redes sociais, mas juntámos a isso uma boa presença, um bom atendimento, a qualidade do produto, para que o cliente venha e passe a palavra para outros e que consigamos ter uma rede fixa de clientes”, admite.
Espaço vai começar a torrar café
Chegado da Alemanha a Coimbra, não foi fácil para Francisco Madeira dar vida ao projeto. No primeiro ano de atividade, a equipa de trabalho era constituída apenas por ele (a full-time), e pela namorada (a part-time). O segundo ano foi ainda mais desafiante, já que o proprietário passou a ter de gerir uma equipa de onze pessoas, algo a que não estava habituado.
“Foi um desafio muito grande: começar a entrar mais na gestão pessoal e na gestão de colaboradores. Não foi tanto um desafio em termos de qualidade de produto, foi mesmo o adaptar-me à realidade do negócio que estava em crescimento”, confessa. Todavia, tudo correu bem e, atualmente, o projeto continua a crescer. Já no próximo mês, o NAU Coffee vai trazer novidades.
“Vamos começar a torrar café, ou seja, vamos abrir uma torrefação, aqui, no distrito de Coimbra, em que vamos começar a importar café verde de diferentes países e vamos começar a torrar o nosso próprio café”, adianta Francisco Madeira. Além disso, “estamos a planear algumas novidades mais perto do mar, mas até agora não posso revelar mais nada”, avança ainda, entre risos.
Enquanto algumas informações permanecem em segredo, o proprietário convida a aproveitar o que os espaços do NAU Coffee têm para oferecer. O sucesso tem sido muito e o crescimento mais substancial do que alguma vez esperou. Nasce, assim, a certeza de que “olhando para trás, é muito gratificante ver todo o processo, toda a evolução que o negócio criado por ti conseguiu ter nos últimos dois anos”, conclui.
Cátia Barbosa
»» [Reportagem da edição impressa no “O Despertar” de 23/01/2026]