14 de Agosto de 2026 | Coimbra
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Coimbra acolhe projeto que visa diminuir desigualdade educativa entre crianças

4 de Julho 2024

Teach for Portugal já apoiou mais de 19 mil alunos

 

Coimbra acolhe projeto que visa diminuir desigualdade educativa entre as crianças

 

 

Sob o lema “De onde uma criança vem, não deve afetar para onde vai!”, a Teach for Portugal tem como objetivo que todos os jovens, independentemente do seu contexto socio-económico, tenham acesso a uma educação que lhes permita desenvolver o seu máximo potencial. O projeto conta, para isso, com o Programa de Desenvolvimento de Liderança que, durante dois anos, leva os seus mentores a colaborar em escolas desfavorecidas, de forma totalmente gratuita. Além disso, promove ainda a Academia de Verão, uma iniciativa anual que, este ano, se vai realizar em Cernache, no distrito de Coimbra, entre os dias 22 de julho e 9 de agosto.

 

Apercebemo-nos de que, em Portugal, o contexto socio-económico do qual uma criança provém é o principal preditor do seu sucesso ou insucesso escolar. Isto é uma realidade muito injusta”, explica a diretora de comunicação da Teach for Portugal, Catarina Ferreira, em declarações ao “O Despertar”. Nesse sentido, o projeto trabalha diariamente para que esse contexto não balize as oportunidades que os jovens venham a ter na sua vida. “Na prática, recrutamos profissionais promissores de várias áreas de estudos, damos-lhes formação intensiva e contínua, para que trabalhem durante dois anos, e a tempo inteiro, nas escolas que servem os contextos mais desfavorecidos do país”, acrescenta.

 

Estes mentores colaboram, em sala de aula, com professores de várias disciplinas e acompanham as suas respetivas turmas. O propósito é simples: motivar os alunos a aprender os conteúdos da matéria e desenvolver competências socio-emocionais importantes para o seu futuro. O modelo é adaptado da rede global Teach for All, que está presente em 61 países há mais de 30 anos. “O que nós fazemos é perceber quais são as boas práticas a nível internacional e adaptar àquilo que é a realidade educativa portuguesa”, adianta Catarina Ferreira.

 

Números comprovam resultados

A funcionar desde 2019, a Teach for Portugal iniciou-se com 17 mentores, a marcar presença em 11 escolas, junto de cerca de 1.700 alunos. Atualmente, o projeto já atua em 48 estabelecimentos educativos e, no total, já apoiou 19.100 estudantes. Os números são positivos, bem como o trabalho levado a cabo pelo projeto. “Em turmas em que há esta colaboração Teach for Portugal, ou seja, em que há a parceria entre o mentor e o professor, há uma aceleração da redução das negativas dos alunos em cerca de 24%”, avança Catarina Ferreira.

 

No entanto, as boas notícias não ficam por aqui. Para além de melhorarem significativamente as notas, estas crianças e jovens adquirem um sentimento de valorização pessoal. “Nós conseguimos notar que os nossos alunos dizem que acreditam mais neles; que passaram a ter mais confiança de que conseguem”, afirma a responsável. Não obstante, também o relacionamento com os próprios colegas de turma se torna mais frutífero. “Existe muito o trabalho de empatia e desenvolvimento de competências socio-emocionais e de gestão de conflitos. As turmas passam, assim, a ter uma melhor relação, a confiar mais uns nos outros e a verem-se de maneiras que nunca se tinham visto. Portanto, a compreender mais os problemas uns dos outros, as suas perspetivas e a serem mais tolerantes”, sublinha.

 

O feedback estende-se ainda às famílias que não podiam ficar mais satisfeitas por ver os seus filhos conhecerem realidades que, até então, desconheciam. “O que nós temos é pais a dizerem-nos que o seu filho nunca tinha gostado de matemática e que, agora, chega a casa e quer fazer equações de matemática”, conta a diretora de comunicação. A mesma confessa que tudo é uma questão de incentivo e motivação. “É fundamental celebrar com os alunos as pequenas conquistas e mostrar-lhes que este progresso é possível. Basta acreditarem em si mesmos, definirem objetivos e perceberem que são os pequenos passos que contribuem para um progresso contínuo”, realça.

 

Academia de Verão em Cernache

O trabalho da Teach for Portugal vai para lá das escolas. Afinal, o ano letivo termina, mas o projeto continua a acompanhar as crianças e jovens, dos 10 aos 17 anos, através da Academia de Verão. A iniciativa é gratuita e constitui “um momento que acontece entre julho e agosto, em que nós damos formação intensiva aos futuros mentores para os preparar para a entrada na escola”, esclarece Catarina Ferreira. Desta forma, – e ao longo de três semanas -, os mentores treinam presencialmente com os alunos e são devidamente supervisionados. “Esta é uma forma de os alunos também aprenderem e não terem a perda de aprendizagens que, geralmente, ocorre sempre durante o verão”, refere, frisando que esta é uma oportunidade de os jovens “fazerem amizades e ficarem motivados para a aprendizagem”.

 

Numa primeira fase, a Academia de Verão começou por realizar-se no Porto. No entanto, há já três anos que se tem instalado no distrito de Coimbra. Este ano, entre os dias 22 de julho e 9 de agosto, o palco da iniciativa será o Colégio da Imaculada Conceição (CAIC), em Cernache. “Começámos a formar cada vez mais mentores e necessitávamos de um espaço que recebesse mais alunos. Encontrámos as antigas instalações do CAIC que proporcionavam o essencial para os acolhermos, para podermos formar os mentores, e que, ainda por cima, fica no centro do país”, revela Catarina Ferreira.

 

Desde que chegou a Coimbra, a Academia de Verão tem crescido no número de inscrições. “Este ano, estamos a contar receber 220 alunos”, aponta a responsável. Durante três semanas, estes jovens vão ter aulas de português, inglês, matemática e ciências, bem como realizar diversas tarefas que lhes permitem “divertirem-se enquanto aprendem”.

 

Educar para elevar

Para além de promover a equidade educativa, a Teach for Portugal apela aos cidadãos que escolham “uma carreira com propósito”. Nesse sentido, na sua página da internet, – e através da secção “recrutamento” -, desafia os interessados a serem “agentes de mudança”, contribuindo para diminuir a desigualdade na educação. Não há limite de idade para os mentores. Os únicos requisitos necessários são vontade de fazer a diferença, ter uma licenciatura em qualquer área de estudos, disponibilidade de deslocação para duas regiões do país, serem fluentes em português e inglês e, sobretudo, comprometerem-se com as funções que vão desempenhar.

 

Reunidas as condições, os futuros mentores passam por um processo criterioso de recrutamento, que envolve cinco fases de seleção: pré-candidatura, candidatura, teste+vídeo-entrevista, centro de avaliação e entrevista final. Após este último passo, a Teach for Portugal comunica quem foram os candidatos escolhidos para integrar o programa. Programa este que promete mudar vidas, já que “de onde uma criança vem, não deve afetar para onde vai”. Esta é “a realidade que nós estamos a trabalhar para inverter em Portugal: queremos fazer com que a educação seja, efetivamente, o elevador social que deve ser”, conclui Catarina Ferreira.


  • Diretor: Lino Vinhal

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