26 de Junho de 2022 | Coimbra
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Cernache continua a marchar mesmo sem apoios

27 de Maio 2022

Nem tudo é marchar e cantar pelas ruas e a Marcha de Cernache, do Município de Coimbra, é a prova disso. “É o fruto do trabalho de um ano inteiro, desde idealizar o tema, as músicas, os trajes, o calendário de atividades, que é intenso, mas apaixonante e que me faz feliz”, disse Marisa Beja ao salientar que “a dor de não poder sair nestes últimos dois anos deu para perceber que é algo muito importante na minha vida”.

A grande dificuldade é a ausência dos apoios da Câmara Municipal de Coimbra e da Junta de Freguesia de Cernache. “Há muito pouca ajuda às Marchas Populares do concelho de Coimbra, sendo a única coisa o subsídio que o Município atribui à cultura, mas que para suprir as nossas necessidades é insuficiente”, lamenta a fundadora ao referir que só as despesas com a banda, traje, sapatos “acarretam valores superiores a dez mil euros”. Segundo Marisa Beja “não se trata apenas de uma questão monetária, pois bastava a cedência de um autocarro para nos levar às saídas que já fazia a diferença”.

“Quando levo a Marcha, levo o nome de Coimbra, pelo que acho que devia haver mais apoio e reconhecimento”, defende.

A Marcha de Cernache surgiu em 2017 e vai agora sair à rua pelo quarto ano, após dois anos impedida de dançar, devido à pandemia da covid-19.

“A pandemia veio dificultar a união de grupo, pois estivemos muito tempo sem nos reunirmos, principalmente as crianças, pelo que este ano nem haverá marcha infantil”, começa por dizer uma das fundadoras, Marisa Beja.

No entanto, os mais novos não ficam de fora, pois “apesar de as crianças não dançarem vão ser as nossas mascotes”, tendo os elementos mais novos três anos.

Marcha reúne miúdos e graúdos

No total, são cerca de 50 pessoas que integram a Marcha de Cernache, entre marchantes, músicos e cantadeiras. A dançar são 16 pares, entre os 13 e os 73 anos, e Marisa Beja mostra-se satisfeita, uma vez que têm muitos jovens, “o que é muito bom, porque por vezes é difícil atrair a faixa juvenil para este género de atividades”, realça.

Quanto ao tema que vão apresentar este ano, a também ensaiadora e coreógrafa afirma que “ainda não pode ser revelado”, garantindo apenas que se trata de “uma história mágica e que vai fazer sonhar” já no próximo dia 4 de junho, em Santa Clara. Esta será a primeira saída deste ano entre outras já marcadas dentro e fora do concelho conimbricense. No dia 19 de junho marcam presença em Mafra, seguindo-se Figueira da Foz a 23 de junho e São Pedro da Afurada (Vila Nova de Gaia) no dia 25 do próximo mês.

“No primeiro ano em que saímos (2017) ficámos mais por Coimbra, mas temos crescido neste sentido”, disse orgulhosa ao revelar que o grande sonho é “desfilar na Avenida da Liberdade, em Lisboa, pois é o evento mais emblemático no mundo dos marchantes”.

A Marcha de Cernache ensaia à sexta-feira ou ao sábado “consoante a disponibilidade dos participantes, pois não é fácil gerir um grupo de 50 pessoas”, admite Marisa Beja. Apesar de não terem sede própria para realizar os ensaios, contam com a boa vontade de algumas coletividades das redondezas.

“A Associação Desportiva e Recreativa da Pousada cedeu-nos uma sala, onde deixamos o nosso material, embora para ensaiar seja complicado, porque o único sítio é um polidesportivo ao ar livre, pelo que contamos com a coletividade de Telhadela, que também nos empresta o salão”, explica a ensaiadora.

A Marcha de Cernache existiu há muitos anos na freguesia, mas acabou por terminar. Em 2016, Marisa Beja criou a Marcha Infantil que teve muita adesão e sucesso. “Como havia crianças, cujos pais e avós tinham andado em tempos na Marcha Popular de Cernache incentivaram-me a recriá-la e foi assim que, em 2017, os adultos voltaram a marchar”, conta de sorriso rasgado.


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