6 de Fevereiro de 2026 | Coimbra
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APRAE nasce em Coimbra para salvar animais exóticos

15 de Março 2024

Existe em Coimbra, desde 2023, a Associação Portuguesa de Resgate de Animais Exóticos (APRAE), tendo funcionado enquanto projeto desde 2018. A Associação abrange também as cidades Porto e Lisboa.

COMO TUDO COMEÇOU

A Associação foi fundada por Marta Mendes, bióloga, natural do Porto, e por Sónia Rodrigues, cirurgiã ortopédica, natural de Coimbra. As duas jovens juntaram-se em 2018, numa altura em que Marta estagiava no Parque Biológico de Gaia e viu uma coelha a ser abandonada. Tendo o animal uma pata partida e não podendo ser acolhido pela instituição, a solução seria o abate.

Assim, e para não deixar que a coelha fosse eutanasiada, a bióloga levou-a consigo para casa. Foi nessa altura que começou a informar-se e a pesquisar sobre resgate de animais exóticos, tendo cruzado caminhos com Sónia Rodrigues.

Atualmente, a organização é composta pelas duas jovens e cerca de 20 famílias de acolhimento.

O QUE ACONTECE APÓS O RESGATE

Questionada acerca da quantidade de espécies resgatadas, Marta Mendes explica que “são poucas, umas três ou quatro, uma vez que se trata principalmente de mamíferos mas costumamos resgatar cerca de 100 ou 150 animais por ano”.

São salvos “chinchilas, coelhos, porquinhos-da-índia, ratazanas domésticas e hamsters”, principalmente, apesar de também já terem sido encontrados petauros-do-açúcar (sugar gliders) ou tartarugas.

As jovens, que atuam de forma não remunerada e por conta própria, tratam dos resgates de diferentes formas e em variadas circunstâncias, quase sempre após ser feita uma denúncia. Já salvaram animais em situação de sem-abrigo, provenientes de ambiente de violência doméstica, e animais que estavam disponíveis à venda em sites de compra e venda depois de serem criados de forma ilegal, por exemplo.

Após garantirem que os animais estão em segurança, Marta e Sónia cumprem todos os procedimentos legais e levam-nos “ao veterinário, são castrados ou esterilizados, levam as vacinas, são registados e quando ficam saudáveis pomo-los para adoção”.

Em Portugal, estes animais só podem ser resgatados na rua, visto que ainda não há uma lei que lhes dê proteção, por não serem “domésticos” ou “de companhia”.

Enquanto não é encontrado um novo lar para o animal, este é colocado em famílias de acolhimento temporário.

Para poder adotar os animais, as pessoas interessadas são sujeitas a uma triagem, por forma a que se perceba se detêm condições para os cuidar bem.

Os maiores problemas em relação à adoção surgem quando a família ou pessoa em questão pensa que estes animais requerem pouca manutenção e precisam de pouco espaço. Marta Mendes relata o facto de haver muitas pessoas a achar “que os animais podem ficar o dia todo fechados numa gaiola” e confessa haver ainda “um passo a dar” no que toca à educação.

Quando são chamadas a horas tardias, as profissionais não costumam ter problemas no transporte dos bichos até ao veterinário, uma vez que quase todos os que conhecem possuem serviço de urgências. Além disso, tanto Marta como Sónia têm formação de suporte básico de vida.

Nos casos piores, em que o animal se encontra demasiado debilitado e necessita de tratamento mais forte e medicação que acarreta custos extra, as jovens fazem questão de cuidá-lo nas suas habitações, em vez de os deixarem numa família de acolhimento, por considerarem “não ser justo”.

No período pós-adoção, e se houver algum problema ou entrave por parte do adotante, Marta e Susana comprometem-se a ficar com o animal.

 

GESTÃO DA ASSOCIAÇÃO

Sendo Sónia de Coimbra e Marta do Porto, a gestão é feita pelas próprias em cada uma das cidades. Os resgates são feitos por conta das mesmas, em veículos particulares. Em Lisboa, e quando contactadas, as duas jovens deslocam-se até lá, independentemente do dia e da hora, desde que não se encontrem a desempenhar as suas ocupações principais.

“Apesar de estarmos longe estamos sempre disponíveis”, revelou a bióloga ao “O Despertar”, explicando que ultimamente, a Associação tem recebido apelos “quase todos os dias”.

Questionada acerca da adesão da comunidade à APRAE, Marta Mendes afirma que, pelo facto de nenhuma das duas morar em Lisboa, é mais difícil gerar uma vasta lista de contactos, ao contrário daquilo que se tem vindo a verificar no Porto e em Coimbra, onde já têm facilidade em falar com outras associações e veterinários.

“Temos protocolos com vários veterinários e centros de recuperação em Coimbra e no Porto”, adianta ainda.

Em Coimbra, a APRAE atua em qualquer lugar, havendo no total três famílias de acolhimento temporário na cidade.

Por todo o país existem três pontos principais de recolha de animais, visando a facilidade de acesso a veterinários. Contudo, a Associação age noutras cidades se, e quando necessário.

“A zona de Braga e a zona do Algarve” são, para as jovens profissionais, pontos de interesse para expansão da APRAE, “por serem as zonas do país mais longe de nós”.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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