13 de Maio de 2021 | Coimbra
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ORLANDO FERNANDES

A vacinação na União Europeia

16 de Abril 2021

Talvez seja tempo de os europeístas obsessivos reverem as suas crenças. Vejamos o que se tem passado na União Europeia (UE) e em muitos outros países, designadamente nos Estados Unidos da América (EUA), com o processo de aquisição e aplicação das vacinas, e com o da definição e implementação de pacotes financeiros – as chamadas bazucas.

No caso das vacinas, os estados da UE depositaram todas as fichas na Comissão Europeia, que mostrou não estar à altura dessa responsabilidade. Esta afundou-se num pântano de contradições e fragilidade política e entreteve-se em exercícios de mediação dos interesses em exercícios de medição dos interesses das companhias farmacêuticas. Por outro lado, existem bloqueios estruturais insanáveis na estrutura política, orçamental e monetária da União, que os europeístas obsessivos tentam esconder.

De tudo isso resulta que, apesar das respostas à pandemia confirmarem os sistemas de saúde do geral dos países da UE, com os mais avançados do Mundo, a vacinação decorre a um ritmo lento comparado com, por exemplo o dos EUA.

Quanto aos pacotes financeiros, a UE decidiu há quase um ano construir a sua bazuca. Seguiu-se uma propagada intensa enaltecendo a celeridade da decisão e o seu volume. Entretanto, a pandemia prolongou-se para além, do previsto tornando esse volume manifestamente insuficiente. E, quando à sua concretização, até agora é só fumaça.

Nos EUA, país onde os valores da solidariedade e da justiça social não são tão valorizados como na maioria dos países da União, Joe Biden tomou posse e já está em implementação um pacote financeiro correspondente a 14% do PIB norte-americano. É um volume incomparavelmente superior àquilo que a bazuca europeia mais os esforços específicos de todos os países membros pode somar. Por que razão a UE se atrasa?

São várias as causas. A União Europeia está num processo de fragmentação com nuances diversas: impera a ligeireza na análise dos significados da saída do Reino Unido; é patente a fragmentação política em áreas sensíveis, desde logo perante novas realidades geopolíticas e geoestratégicas; persiste uma dicotomia entre “frugais” e “não frugais” que sustenta um sistema monetário e orçamental desadequado, injusto e causador de conflitos.

Numa parte dos países da UE, com Portugal, os europeístas obsessivos assumem os constrangimentos orçamentais como uma inevitabilidade, o que impede a adoção de medidas adequadas às circunstâncias com que cada país se depara.

Assim, impera o medo do peso da dívida e o receio do regresso de políticas do Banco Central à “normalidade” dos juros elevados.

Os mecanismos e os tempos de decisão na UE são lentos porque as divergências se estão a aprofundar e os consensos são cada vez mais difíceis, porque o sentido do bem comum está a dissolver-se. Nos EUA não são seguramente esquecidos os interesses das empresas, mas vão chegar imediatamente 1400 dólares a cada pessoa de mais de 90% das famílias e são reforçados, nomeadamente o subsídio de desemprego e o abono de família.

Se em Portugal for apresentada uma proposta deste tipo, a ser suportada pela bazuca e por investimento público do Estado, os seus autores serão alcunhados de loucos radicais. Todavia, não incomoda a pedinchice e o saque ao Estado por parte de grupos empresariais oportunistas e pelo setor financeiro.


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