É difícil encontrar uma definição consensual de arte. É assim que surgem várias teorias sobre o que é a arte, sendo elas divididas em teorias essencialistas e teorias não essencialistas. A teoria expressivista é uma teoria essencialista da arte que defende que a obra de arte é expressão de sentimentos e emoções: “algo é arte se, e só se, é expressão de sentimentos”, defende esta tese o escritor russo Lev Tolstoi (1828-1910), um dos representantes máximos desta teoria expressivista da arte. Segundo esta perspetiva, a obra de arte deve expressar sentimentos e comunicá-los intencionalmente a um apreciador da obra produzida, o qual deverá sentir um sentimento semelhante ao do artista que criou a obra, estabelecendo-se deste modo uma identidade emocional entre o artista e o recetor da obra de arte. Estamos, assim, perante uma obra de arte se – a obra criada expressar com autenticidade por parte do artista emoções e sentimentos (o artista não deve disfarçar emoções), como, por exemplo, medo, angústia, alegria, ódio, etc; o artista criar intencionalmente a obra com o objetivo de provocar emoções e sentimentos específicos no recetor; a emoção expressa pelo artista for também sentida pelo recetor da obra. Por tudo isto, podemos afirmar que esta teoria expressivista da arte refere não apenas as caraterísticas da experiência estética (baseada na expressão de sentimentos e emoções), na contemplação da obra de arte, mas tem também implicações psicológicas inerentes a essa contemplação: a partilha de emoções e sentimentos (que é um ato pessoal e íntimo, envolvendo pessoas) comportamentos e reações, do artista e simultaneamente de quem contempla a sua obra. Então, para Tolstoi, a arte é uma forma de unir as pessoas pelos sentimentos. Por isso, não há arte se a obra não expressar sentimentos e emoções e esses sentimentos não contagiarem pessoa alguma, isto é, se a pessoa que contempla a obra não sente as mesmas emoções e sentimentos do artista. Segundo esta perspetiva, é possível constituir uma comunidade que partilha estados de alma: as emoções do artista e do público-alvo têm de ser as mesmas. A este respeito afirma Tolstoi na sua obra, “O que é a arte?” – “A atividade artística é baseada no facto de uma pessoa, ao receber através da sua audição ou visão a expressão do sentimento de outra pessoa, ser capaz de ter a experiência emocional que motivou aquele que a exprime. Pegando num exemplo simples: uma pessoa ri, e outra que está a ouvir fica alegre, ou uma pessoa chora, e outra que está a ouvir sente pena. Uma pessoa está entusiasmada ou irritada, e outra ao vê-la, acaba por se encontrar num estado mental semelhante. Pelos seus movimentos ou pelos sons proferidos uma pessoa exprime coragem e determinação ou tristeza e serenidade, e este estado mental passa para os outros.” Outro dos representantes desta teoria da arte é o filósofo e arqueólogo inglês, Robin Collingwood (1889-1943), que defende a seguinte tese: “Algo é arte se, e só se, é expressão imaginativa de emoções”. Para este autor, a emoção sentida originalmente pelo artista não possui ainda valor estético. Portanto, a expressão imaginativa de emoções, que corresponde às emoções estéticas, é um processo consciente e controlado que envolve a expressão artística e em que o artista, expressando na sua obra as suas emoções, através da imaginação, toma consciência delas. A emoção estética reflete-se na consciência do recetor da obra, que amplia a compreensão dos seus próprios sentimentos através dos sentimentos do artista expressos na obra de arte. Collingwood entende também que a simples manifestação de emoções não tem valor estético e ocorre como um processo automático, mecanizado, quando temos consciência de emoções, mas não sabemos concretizar de que emoções se trata: sentimos interiormente perturbações e agitação desconhecendo, no entanto, a sua natureza. O autor desta perspetiva, distingue ainda obras que despertam e estimulam emoções (que não podem ser consideradas obras de arte) e as que expressam emoções – neste sentido, ele não considera as obras literárias de Shakespeare como obras de arte, sendo unicamente uma forma de entretenimento, pois elas, na sua opinião, visam apenas despertar e estimular emoções no público e a arte não consiste apenas em despertar emoções, mas sim em expressão de emoções. Assim sendo, este filósofo afirma o seguinte na obra, “Os princípios da arte”: “Até um homem ter expresso a sua emoção não sabe ainda de que emoção se trata, as suas emoções não têm ainda valor estético. O ato de exprimi-la é assim uma exploração das suas próprias emoções. Uma pessoa que expressa algo, ganha assim consciência do que está a expressar (o artista purifica as suas emoções originais, tornando-as emoções estéticas), e permite aos outros ganharem consciência da emoção que há em si e neles. (o artista consegue partilhar com os outros as suas emoções, através da obra de arte).”