15 de Maio de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

Vida

15 de Maio 2026

Vivo e não vivo, será que vivo?

Tudo se constrói e destroca nesta interrogação,

À qual tentei responder ao longo da vida,

Uma mistura explosiva semeada de amizades, malquerenças,

Forjada em causas e nas causas devoção.

 

De que me valeu saber que andava por cá a expiar,

Sofrimento, amor, saber ser e saber estar,

Tempos debuxados na exaltação ou no desespero,

Algures pintados a fogo num quadro vermelho.

 

Deambulei perdido p´las arribas junto ao encolerizado mar,

P´las matas densas de amedrontar,

Apenas penetradas p´la miragem do Sol poente,

Tropeçando aqui, escorregando mais à frente

 

Foram muitos anos a caminhar,

Ver as filhas crescer e logo desaparecer,

P´rá vida que tinha de conquistar,

Por entre abrolhos, ventos a assoprar,

Fragas insondáveis para escalar.

 

Os anos foram passando, neste mundo impenetrável,

Que dispersa ódios, guerras, montanhas de aculturados, instável,

Num movimento que não se move,

E assim se morre.

 

A minha vida foi o que foi entre o longe e a miragem,

No meu fim estará estampada outra paisagem,

Arquitectada na contingência de melhor vivência,

Que exija narrativa, memórias, para que não se repita a biografia.

 

Termino como comecei:

Vivo e não vivo, será que vivo?


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