15 de Maio de 2026 | Coimbra
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Martinho

UNS REMAM A FAVOR…OUTROS CONTRA

15 de Maio 2026

Era de supor que depois de tanta turbulência à volta das causas da recente tempestade que assolou o concelho de Coimbra e o baixo Mondego, que a bonança repousasse sobre a mente dos contestatários da oportunidade e legalidade da construção da barragem de Girabolhos, sendo a Organização Ambiental não governamental ZERO a mais ativa das cerca de 10 existentes, alegando que a barragem não resolverá os riscos de cheias no rio Mondego; que deveriam ser priorizadas medidas de proteção mais rápidas e menos invasivas e que a decisão do Ministério do Ambiente é precipitada, fora do momento adequado e sem justificação técnica.

A APA (Agência Portuguesa do Ambiente) foi quem presidiu, em 2007, à monotorização, planeamento, avaliação, licenciamento e fiscalização do projeto e, na sua qualidade de regalador ambiental estatal, exerceu a sua autoridade e legitimidade para exarar o seu veredito.

Conferindo as opiniões e os estudos da Ordem dos Engenheiros e dos demais técnicos da especialidade, todos apoiaram “ab initio” a construção daquela infraestrutura, “cujo projeto inclui uma central reversível com cerca de 335 MW de capacidade instalada, crucial para a transição energética e para o armazenamento de energia na rede nacional. Que sem aquela barragem será difícil travar a repetição de cheias no baixo Mondego, porque funcionará como uma “bateria” de retenção de águas nas cabeças, reduzindo o caudal de cheia que atinge Coimbra.”

Talvez pelas mesmas razões essas vantagens já tinham sido reconhecidas através do projeto, datado de 2007, aprovado e selecionado como uma das 10 barragens prioritárias para aumentar a capacidade hidroelétrica de Portugal. Para tanto, o concurso foi lançado e a adjudicação provisória da obra ocorreu em 2008 e em 2010/2011 foram aprovados documentos essenciais, tais como a elaboração do impacte ambiental, suspensão e reativação. Mas, apesar de todos esses impulsos, a partir de 2016 o processo ficou a hibernar durante todo este tempo, para só agora (em 2026) ser reativado pelo governo. Não queremos acreditar que só depois da desgraça das cheias do Mondego é que o governo se decidiu despertar para a construção da barragem em causa?

Perante as “démarches” empreendidas por quem de direito, evidentemente que não nos compete criticar as considerações e reivindicações das cerca de 10 organizações ambientais existentes em Portugal, nem afetar aquela sua liberdade constitucional democrática, mas também não somos autoridade na matéria para rebater sequer os argumentos dos engenheiros técnicos que fizeram a avaliação da oportunidade e dos efeitos da barragem e, menos ainda, para duvidarmos da competência e legitimidade da APA, pelo que o bom senso é mantermo-nos neutros para não ferirmos a sensibilidade das partes na contenda.

Faz-me espécie a razão por que aquelas organizações ambientais fazem finca-pé contra a construção da barragem de Girabolhos que, segundo os argumentos aduzidos pelos técnicos “ut supra”, traz grandes benefícios para aumentar a capacidade hidroelétrica Portuguesa e, ao mesmo tempo, se insurgem contra o governo pela sua inoperância na melhoria e segurança da rede elétrica nacional, aquando do apagão, de há um ano, como tendo sido o causador daquele infausto acontecimento, com a agravante de saberem ou de não quererem saber que o fenómeno se gerou por culpa exclusiva do, e no, país vizinho, causando grande incómodo e largos prejuízos à população portuguesa. Por vezes, “o coração tem razões que a razão desconhece!!!” .

Porém, o que é facto incontroverso é que no meio destes abespinhados desacordos quem sofre e está a pagar pela inércia do processo da construção da dita cuja é, para já e diretamente, a população de Girabolhos, com carência de água no verão para regar os seus campos agrícolas e para o consumo doméstico, ao mesmo tempo que está a perder uma grande oportunidade de desenvolvimento da região. É que “casa onde não há pão todos ralham, apenas alguns têm razão?”


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