Coimbra prepara-se para uma mudança significativa na forma como se circula no centro da cidade. A chegada do Metrobus à Praça da República e à estação ferroviária de Coimbra-B vai obrigar a reorganizar o trânsito, alterar percursos dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) e adaptar algumas das principais ruas da Baixa. A nova fase deverá entrar em funcionamento a 10 de setembro, embora a data esteja dependente da conclusão dos testes operacionais do Sistema de Mobilidade do Mondego.
A chegada do Metrobus ao centro de Coimbra obriga a repensar a forma como autocarros, automóveis e peões partilham o espaço urbano, numa reorganização que procura diminuir o tráfego de atravessamento na Baixa, reforçar o transporte coletivo e melhorar as condições de circulação pedonal, sem comprometer os acessos de residentes, comerciantes e serviços.
Rua da Sofia dá prioridade aos transportes públicos
Uma das alterações mais visíveis acontecerá na Rua da Sofia. Este importante eixo histórico deixará de permitir a circulação automóvel geral e passará a assumir uma função prioritariamente dedicada ao transporte público, uma opção que estava já prevista na Declaração de Impacte Ambiental do projeto, aprovada em 2011.
A medida procura reduzir a pressão automóvel sobre a Baixa, uma vez que a Rua da Sofia tem funcionado também como um dos principais eixos de atravessamento para condutores com destino a outras zonas da cidade. Esse tráfego será encaminhado para percursos alternativos, favorecendo a circulação dos transportes públicos e criando melhores condições para os peões.
Esta alteração não representa um encerramento da rua ao trânsito. Serão mantidos os acessos necessários a residentes autorizados, cargas e descargas, serviços essenciais e outros veículos devidamente autorizados. Com menos tráfego de atravessamento, pretende-se também criar condições para uma utilização mais equilibrada do espaço público e valorizar uma das ruas com maior relevância histórica no centro de Coimbra.
Acessos locais serão mantidos
A restrição ao trânsito automóvel geral não impedirá o acesso de moradores, comerciantes e serviços à zona. A nova organização prevê um regime condicionado, com a Rua Pedro Olaio a funcionar como principal entrada controlada para residentes autorizados, cargas e descargas, serviços essenciais e outros veículos abrangidos.
Serão também assegurados acessos ao Mercado Municipal D. Pedro V, à PSP, à Escola Secundária Jaime Cortesão e a outros equipamentos. A circulação será acompanhada por sinalização e mecanismos de fiscalização, procurando garantir as necessidades locais sem permitir que a Baixa continue a ser utilizada como corredor de atravessamento.
Via Central assume um papel central
A Avenida D. Sesnando Davides, conhecida como Via Central, será igualmente fundamental na nova organização. É através deste eixo que o Metrobus chegará à Praça da República, reforçando a ligação entre a Baixa, a zona universitária e os restantes pontos servidos pelo Sistema de Mobilidade do Mondego.
A circulação dos SMTUC será adaptada à nova realidade. Num dos sentidos, os autocarros continuarão a utilizar a Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes e a Rua da Sofia, no sentido contrário, passarão pela Avenida D. Sesnando Davides. As atuais paragens junto ao Jardim da Manga serão também transferidas para o início da Rua da Sofia.
Rua de Saragoça com circulação num único sentido
Também a Rua de Saragoça terá novas regras. O troço entre as ruas de Montarroio e Guerra Junqueiro passará a ter apenas sentido descendente. A alteração procura melhorar a segurança e a acessibilidade numa rua estreita, onde a circulação nos dois sentidos deixa pouco espaço disponível para os peões.
No sentido ascendente, os automobilistas deverão utilizar a Avenida Sá da Bandeira, a Praça da República e as ruas Tenente Valadim e Guerra Junqueiro. Os acessos ao Mercado Municipal e à restante zona envolvente serão mantidos.
Dezenas de percursos dos SMTUC serão adaptados
As mudanças na circulação terão impacto direto na rede dos SMTUC. Mais de duas dezenas de linhas que atualmente passam pela Rua da Sofia, João de Ruão, Simões de Castro e outros arruamentos próximos terão os seus percursos adaptados. Entre elas encontram-se as linhas 4, 5, 5T, 6, 6F, 11, 16G, 19, 19A, 19T, 19R, 24, 25, 25T, 27, 27F, 28, 28F, 29, 30, 30A, 30T, 30F, 36F, 42V e 103.
Serão ainda criadas paragens na Avenida D. Sesnando Davides, junto à Loja do Cidadão, e nas ruas Antero de Quental e Guerra Junqueiro, de forma a assegurar a cobertura das zonas abrangidas pelos novos itinerários.
A chegada do Metrobus permitirá também simplificar algumas linhas e reduzir a sobreposição entre autocarros e o novo sistema. A lógica passa por utilizar os SMTUC sobretudo nas ligações aos bairros e às áreas que não são diretamente servidas pelo Metrobus. Em alguns casos, isto poderá significar que viagens atualmente realizadas num único autocarro passem a exigir um transbordo.
A articulação entre os dois sistemas é facilitada pelo MOVE-C, disponível desde o início do ano, que permite utilizar os SMTUC e o Sistema de Mobilidade do Mondego com o mesmo passe. As mudanças agora previstas antecipam ainda alguns dos princípios da futura reorganização global da rede municipal de transportes, que deverá avançar após a entrada em funcionamento de todas as linhas do Metrobus.
Uma mudança que vai além dos transportes
A reorganização da mobilidade pretende transformar a relação entre o centro de Coimbra e quem diariamente o atravessa. Ao retirar parte do trânsito automóvel da Baixa e reforçar o transporte público, o Município procura libertar espaço para os peões e tornar os percursos mais simples e previsíveis.
Antes da entrada em vigor das alterações, a Câmara Municipal, os SMTUC e a Metro Mondego deverão divulgar informação sobre os novos percursos, paragens, acessos condicionados e alternativas de circulação.
A chegada do Metrobus será, por isso, mais do que uma alteração à rede de transportes. Será também um teste à capacidade de Coimbra para adaptar um centro histórico às novas exigências de mobilidade.