Montemor-o-Velho volta a concentrar, durante 11 dias, a atividade económica, cultural e social do concelho na Feira do Ano – Festas Concelhias, que decorre de 29 de agosto a 8 de setembro, no Largo da Feira. Música, gastronomia, comércio, tradições e animação juntam-se num certame que mantém a vocação de mostrar a diversidade e o que de melhor se faz e produz no território.
Antes de o recinto ganhar o movimento dos visitantes, a preparação envolve diferentes setores e entidades, entre montagens, distribuição de espaços, preparação das cozinhas, ensaios e confirmação de horários. Estruturas metálicas, cabos e viaturas de apoio ocupam progressivamente o Largo da Feira, transformando o espaço no ponto de encontro que será durante mais de uma semana.
Ao longo do certame, freguesias, associações, coletividades, produtores, artesãos, comerciantes e empresários marcam presença. Artesanato, comércio, indústria, serviços e produção agrícola convivem com gastronomia, tradições e saberes que integram a identidade de Montemor-o-Velho.
Para empresas e produtores, a Feira representa uma oportunidade para apresentar produtos e serviços e contactar com novos públicos, enquanto associações e coletividades levam para o recinto projetos e atividades desenvolvidos durante o ano. Para algumas destas estruturas, a participação assume ainda importância financeira através das tasquinhas, cujas receitas ajudam a suportar despesas, adquirir equipamentos ou promover iniciativas.
É desta sobreposição de atividades que resulta uma das particularidades da Feira do Ano: o evento combina dimensão festiva e atividade económica, junta espetáculo e comércio e cria um espaço onde convivem promoção empresarial, participação associativa e valorização das tradições locais.
Tradição que atravessa gerações
A Feira do Ano mudou, mas há referências que permanecem. A programação cultural ganhou novas dimensões e passou a incluir artistas de projeção nacional, mas o certame continua a preservar práticas ligadas à sua origem e ao Feriado Municipal, assinalado a 8 de setembro. A venda de produtos agrícolas, a Feira das Cebolas, a roupa usada e as velharias continuam a integrar a celebração.
Entre os costumes que resistem está o de comprar um cambo de cebolas e levá-lo ao ombro, gesto particularmente associado ao Feriado Municipal e que mantém viva a ligação ao mundo rural e a um período em que o certame funcionava sobretudo como ponto de encontro entre produtores, a vila e as populações dos concelhos vizinhos.
Para quem conhece a Feira há décadas, regressar significa reencontrar práticas e imagens da memória coletiva. Para os públicos mais novos, a oferta alargou-se através dos concertos, animação, espaços de convívio e feira popular. No mesmo recinto, quem procura um espetáculo pode encontrar uma banca de produtos agrícolas e quem chega atraído pela música pode descobrir uma associação, um ofício ou uma tradição que desconhecia.