Numa época em que fazia deslocações regulares a Viseu gostava de saborear o bolo VIRIATO e ia a uma pastelaria virada para o prédio da Segurança Social, perto do edifício do Município e da Praça da República, que creio ser ainda hoje uma referência por ser o mais alto desta cidade, princesa da Beira, com os seus 16 andares. Este bolo de massa doce, tipo brioche, é recheado de coco e de ovos e tem o nome do mítico guerreiro lusitano Viriato. Terá sido registado pela Confeitaria Amaral em 1995, mas terá surgido umas décadas antes. Tem uma cor amarelada e, por cima, é salpicado por açúcar em pó. Sou fã. Na última vez que fui a Viseu, era um sábado, tive dificuldade em conseguir este bolo e tenho pena que não esteja em todas as pastelarias pois considero-o um ex libris da doçaria citadina e, nominalmente, do grande Viriato. Esta cidade tem registado um bom e harmonioso crescimento embora tenha perdido o caminho de ferro e apesar de ter ganho a A25, ligação em autoestrada à fronteira de Vilar Formoso e a Aveiro, a ligação a Coimbra, principal polo da Região Centro pelo IP3, tem mostrado grandes dificuldades para a circulação de pessoas e mercadorias. Ultimamente têm alargado algumas faixas de rodagem, mas as cidades de Viseu e de Coimbra mereciam, há muito, estarem ligadas por uma nova e ampla autoestrada. Cheguei a recear circular pelo IP3, especialmente em tempo de chuva e neve.
HILÁRIO É VISEENSE
Viseu é berço de Augusto HILÁRIO, o primeiro e notável nome do Fado de Coimbra. A rua onde está a casa onde nasceu (antiga Rua Nova) recebeu, há alguns anos, o nome do famoso cantor e boémio da vida académica coimbrã. Pegou de estaca na cidade viseense o gosto pelo fado de Coimbra e, durante alguns anos, gravei ou transmiti em direto, na Antena 1, o Grupo de Fados do Dr. Hermínio Menino que nos deixou em 2025 e de quem tenho saudades. Foi um dos guitarristas que integrou um grupo que cantou e tocou na Sé Velha e depois na Reitoria, em 1968, para o cirurgião cardíaco sul-africano Christian Barnard que fez os primeiros transplantes de coração e teve apoteótica receção na nossa cidade. Em Viseu, Menino, criou uma autêntica escola de música. Personalidade dinâmica e afável deixou muitas saudades. Talvez influenciados por Hilário, a cidade viseense e região tem-nos dado grandes vultos nesta área musical. Apresentei, no ano passado, numa Serenata do Mondego da Dez de Agosto, na Figueira, os Triunviriato (um abraço a João Paulo Sousa). Triunviriato é um ativo trio viseense embaixador da canção e fado de Coimbra. Antes destes é preciso focar nomes como esse mago da guitarra que é Otávio Sérgio, natural de Viseu, uma das figuras cimeiras da guitarra de Coimbra que acompanhou, entre outros, Artur Paredes e José Afonso e edita o melhor e aplaudido blog (Guitarra de Coimbra) dedicado à Canção de Coimbra. Além de Otávio, há um conjunto de protagonistas que passaram pelo Liceu de Viseu como Armando de Carvalho Homem, José Mesquita, o primeiro que escutei a cantar em fado a Balada do Mondego, Barros Ferreira e Rolando de Oliveira, mas há vários e são muitos, sendo difícil fazer uma lista completa. Ao lado, mas já no distrito da Guarda, em Fornos de Algodres, tivemos os destacados Irmãos Menano. Também o saudoso Hermínio Menino era natural da vila de Fornos. Em Viseu continuam a realizar-se Serenatas de Coimbra o que revela a forte ligação musical e académica entre a Princesa e Senhora da Beira e a Lusa-Atenas.