Coimbra é casa durante largos anos para milhares de adolescentes que decidem sair das suas terras, muitas delas no interior do país, à procura de sonhos e de um diploma que lhes dê um futuro melhor. Espera-se que ao longo dos anos de curso vivam momentos únicos que guardem como “os melhores anos da sua vida”. Contudo, para mais duas jovens da Universidade de Coimbra o que deveria ser uma festa tornou-se num pesadelo.
As estudantes, uma de 20 anos e outra de 22 anos, foram violadas na madrugada de segunda-feira (26) junto ao recinto da Queima das Fitas, que está a decorrer na Praça da Canção, até amanhã, dia 30.
As denúncias foram feitas pelas próprias vítimas e segundo informou a Polícia Judiciária (PJ) foram registadas “duas participações distintas”, não havendo qualquer relação entre elas.
Uma das jovens deslocou-se aos hospitais da Universidade de Coimbra denunciando assim a situação e a outra contactou um elemento da polícia que estava nas proximidades do evento, tendo sido encaminhada para receber cuidados de saúde de imediato.
Os casos estão agora na alçada da PJ de Coimbra que procura identificar os suspeitos.
Estudante perde a vida no rio Mondego
A Queima das Fitas de Coimbra é para muitos estudantes o momento mais aguardado do ano. Durante uma semana, a comunidade estudantil celebra o final do ano letivo e a conclusão de uma etapa importante no percurso académico, seja para finalistas seja para caloiros.
Porém, para além das duas violações registadas durante o evento, esta festa vai ficar também marcada pela perda de um estudante de 27 anos.
Na terça-feira (26), o jovem, de nacionalidade nigeriana e de Erasmus no curso de Biologia Marinha da Universidade de Coimbra, foi encontrado sem vida no Rio Mondego, tendo sido dado como desaparecido desde domingo, dia do Cortejo da Queima das Fitas. Neste dia centenas de estudantes acabam por se atirarem ao rio em forma de celebração. Paulo Palrilha, comandante dos Bombeiros Sapadores de Coimbra, afirmou que no domingo “havia três embarcações e drones a monitorizar a área”, contudo não foi possível detetar este incidente. Segundo o comandante, o elevado número de pessoas nas águas, algumas embriagadas, aumenta o risco e contribui para situações semelhantes.
O cadáver do jovem foi encontrado por mergulhadores na margem direita do rio, junto ao parque infantil no Parque Verde, e estava submerso a cerca de 3,5 metros de profundidade. As buscas decorreram desde as 6h00 da madrugada, altura em que passou a haver condições de visibilidade.
Barulho incomoda moradores
O ambiente festivo nocturno gera ainda uma forte contestação social por parte dos residentes do centro histórico, que criticam o “barulho extremo” autorizado pela Câmara Municipal até às 6h00 durante nove noites consecutivas.
Os moradores apelam ao bom senso e à alteração do local do evento, invocando as diretrizes da Organização Mundial da Saúde sobre os impactos do ruído na saúde pública e o Regulamento Geral do Ruído, lembrando exemplos de outras cidades que já limitaram os horários das festas académicas para proteger o descanso dos cidadãos.
“Que se faça a Queima das Fitas, mas não no centro da cidade, não no meio de espaços habitados, onde não é aceitável obrigar as pessoas a passarem 9 noites sem dormir, com a casa a tremer ao ritmo dos decibéis das colunas de som da Praça da Canção”, alertou Olga da Maia Seco, uma moradora de Santa Clara, uma das muitas outras queixosas.