O Conselho Geral da Universidade de Coimbra (UC) deliberou que não existem condições para manter “qualquer diálogo” com vista a uma eventual integração do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT).
Reagindo às expetativas criadas nos últimos meses pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC) e pela autarquia local, o órgão de governo da academia decidiu ainda suspender qualquer processo de aproximação à Universidade Politécnica de Coimbra (UPC).
A posição, transmitida à comunidade académica através de uma nota interna, surge em contraste com as declarações proferidas no Verão pelo Reitor da UC, Amílcar Falcão, e pela presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa.
Em julho, aquando do anúncio da mudança do ISMT para a Baixa da cidade, o reitor mostrou-se convicto de que as duas instituições teriam “um futuro em comum, de uma forma ou de outra”. Mais recentemente, na Assembleia Municipal, Ana Abrunhosa sustentava que a integração do instituto privado na UC era uma condição colocada pelo Ministério da Educação para viabilizar a relocalização para edifícios municipais na Rua Ferreira Borges.
Contudo, a posição do Conselho Geral foi categórica. O órgão esclarece que, “quanto ao Instituto Miguel Torga, e embora nunca tenha sido abordada nem sugerida pelo CG a sua hipotética ‘integração’ na UC, ficou assente e decidido que não existem condições de momento para prosseguir qualquer diálogo que pudesse conduzir a uma eventual integração”.
Em declarações sobre a deliberação, o presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC) e membro do Conselho Geral, José Machado, sublinhou que a decisão do órgão foi tomada por unanimidade e que a operação “não faz sentido neste momento e não teria sentido estratégico para a Universidade”.
O ISMT, detido pela CIMRC, enfrenta um período conturbado, marcado por um processo judicial contra a decisão de não acreditação e encerramento por parte da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES).
Aproximação ao Politécnico também congelada
O Conselho Geral travou também as conversações com a Universidade Politécnica de Coimbra (antigo IPC), apesar de o Reitor ter sido mandatado, há três meses, para conduzir conversas exploratórias com o politécnico.
Sobre este ponto, o órgão deliberou “que esta possibilidade está de momento suspensa e sem nenhuma proposta para que se possa efetuar, dada a significativa e efetiva diferença entre as duas instituições e os distintos pontos de vista defendidos”.
À beira de completar 50 anos, o Instituto Politécnico de Coimbra é composto pela Escola Superior Agrária (ESAC), Escola Superior de Educação (ESEC), Instituto Superior de Engenharia (ISEC), Escola Superior de Tecnologia da Saúde (ESTeSC), Instituto Superior de Contabilidade e Administração (ISCAC) e Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH).
Com esta tomada de posição, a Universidade de Coimbra afasta cenários de expansão ou fusão no curto prazo, remetendo a viabilidade de futuros desenvolvimentos para uma eventual alteração do enquadramento e das visões estratégicas entre as instituições envolvidas.