As esplanadas do concelho de Coimbra vão poder funcionar até às 02h00 durante todo o ano. A alteração ao regulamento de horários, que até agora limitava este encerramento tardio apenas ao período de Verão, foi aprovada na segunda-feira em reunião de Câmara, num debate intenso entre o executivo e a oposição em torno do ruído, do descanso dos residentes e da dinamização económica da cidade.
A oposição contestou duramente a medida, manifestando preocupação com a degradação da qualidade de vida nos bairros residenciais. João Francisco Campos, da coligação Juntos Somos Coimbra, considerou o alargamento do horário “um erro” e chamou a atenção para o impacto acústico da decisão.
“Uma esplanada não tem paredes, não tem antecâmara, não tem isolamento acústico, não tem porta que se feche. Permite manter dezenas de pessoas a beber e a conversar em voz alta à porta de casa de quem tem de acordar de manhã, no Inverno como no Verão.”
O vereador social-democrata lamentou ainda a ausência de um estudo prévio sobre o impacto económico no setor noturno, sublinhando que a alteração falha na salvaguarda do equilíbrio entre “quem mora, quem trabalha e quem se diverte”.
Em resposta às críticas, o vice-presidente da autarquia, Miguel Antunes, esclareceu que a medida resulta de um pedido direto de cidadãos e empresários locais, anunciando que esta alteração é apenas o primeiro passo de uma estratégia municipal mais vasta.
De acordo com o vereador, irá avançar com um pacote abrangente relacionado com a economia noturna, que inclui a criação de zonas de comércio noturno, zonas seguras e a certificação de estabelecimentos de consumo e hábitos saudáveis. O objetivo é colocar Coimbra numa posição interessante em relação ao seu património, que é o património estudantil e de economia noturna.
Por sua vez, a presidente da Câmara Municipal, Ana Abrunhosa, reconheceu a pertinência de alguns alertas deixados pela oposição e admitiu que “há um trabalho muito grande a fazer” no setor da noite na cidade. A autarca adiantou que o município vai promover debates sobre o zonamento da atividade noturna, além de prever a criação da figura de mediadores e a formação de empresários do setor, com vista a reforçar a segurança e a convivência no espaço público.