A Praça 8 de Maio vai manter-se animada pela noite depois do XV Quadragésimo – Encontro de Quarentunas e Tunas de Veteranos de Coimbra. A partir das 21h30, o coração do centro histórico da cidade transforma-se em palco para a “Noite da Canção de Coimbra”. Promovido pelo Grupo Etnográfico da Região de Coimbra (GERC), o evento convida o público a redescobrir a Serenata Futrica, uma dimensão popular e vibrante da identidade musical conimbricense.
Muito antes de o fado e a canção da cidade ficarem maioritariamente associados às capas negras e à tradição dos estudantes universitários, Coimbra viveu uma intensa dinâmica musical popular, intimamente ligada aos seus habitantes e às vivências do quotidiano. Documentadas desde o século XIX, as chamadas Serenatas Futricas incluíam serenatas de rua e serenatas fluviais, fazendo parte integrante das noites, festas e momentos de convívio da população. Era uma música que ecoava pelas ruas e pelas águas do rio Mondego, marcando presença também nas tradicionais Fogueiras de São João, onde os ranchos dos diferentes bairros apresentavam os seus cantares e danças.
É precisamente este universo musical, hoje menos conhecido da história cultural da cidade, que o GERC pretende recuperar e devolver à comunidade. Através de um espetáculo construído a partir de serenatas, cantigas e modas populares associadas à tradição conimbricense. O grupo almeja dar nova vida a um repertório que testemunha uma outra Coimbra, contribuindo ativamente para a preservação e divulgação deste património imaterial.
O programa da noite inclui uma seleção criteriosa de temas marcantes. Entre as peças apresentadas estará “Noite Serena”, uma composição de José António dos Santos Neves Dória com versos de Camilo Castelo Branco, que integrou historicamente o repertório dos ranchos folclóricos nas Fogueiras de São João e nas serenatas populares fluviais. O público poderá ainda escutar a cantiga tradicional “Flor da Murta”, a cantiga de pavilhão “Salgueirais de Coimbra”, a moda popular “Ó Plim” e a obra “Novos Amores”, de Octaviano do Carmo e Sá.