No silêncio, a noite,
Escreve palavras, frases,
Para o poema que intento, construir.
Quero por um momento,
Esquecer-me das memórias,
E, de mim, sobretudo,
P´ra poder elaborar.
É que o pensamento é uma ilha,
Rodeada de olhos por todos os lados,
Que nos distrai a escrita.
Pergunto-me enquanto componho:
Que Sol cabe na quadra de um poema?
A que água se reduz,
Um poema de bastas palavras?
A cama do meu quarto, onde às vezes,
Escrevo, é intima demais,
E tem a idade já do meu silêncio.
Silêncio pouco mais e parcas ideias.
Espero inspiração,
Com o perfume de alfazema.
[Homenagem ao meu grande amigo e poeta António Cabral]