O almoço dos Românticos, de terça-feira passada (8), na Casa dos Pobres de Coimbra, voltou a ter muita gente, pese embora a circunstância de estarmos em férias e muitas pessoas terem-se já ausentado de Coimbra. Sendo certo que estes convívios da segunda terça-feira de cada mês cresceram bastante de afluência nos últimos tempos, neste último era importante para a Casa dos Pobres, e muito particularmente para a sua Direção e corpo de trabalhadores, que as pessoas que conhecem a instituição e lhe querem bem estivessem presentes. Explique-se porquê. Uma Reportagem transmitida há dias por um canal televisivo pôs em causa a qualidade do serviço ali prestado, sobretudo a parte alimentar, deixando no ar fortes suspeitas que a instituição descura o modo como cuida e trata dos seus utentes, na sua totalidade pessoas débeis e frágeis de idade mais ou menos avançada. Tais suspeitas tiveram origem numa denúncia de alguém que por ali passou e ali se manteve por três ou quatro meses, mostrando uma tal inadequação ao serviço que foi convidada a sair. Vai daí, terá ido despejar o saco da vingança para a comunicação social, pondo seriamente em causa não só o mérito de uma Casa que já leva 90 anos de bom serviço, como a honra e dignidade profissionais de dirigentes e trabalhadores, alguns destes a trabalharem ali há vinte e muitos anos, que naturalmente ficaram chocadíssimos ao verem a sua dedicação e competência postos em causa desta maneira vil e aparentemente vingativa.
Compreende-se, pois, que este último almoço convívio fosse a oportunidade da cidade e dos amigos da instituição mostrarem se continuam, ou não, a confiar no bom tratamento que a Casa dos Pobres dispensa aos seus utentes, cumprindo por inteiro a sua tão nobre função. A resposta foi clara: Casa quase cheia, e trabalhadores e dirigentes lado a lado quando a presidente Luísa Carvalho esmiuçou o assunto e despiu a denunciante para expor publicamente a nudez dos seus propósitos. Foi bonito, elegante e nobre mesmo, a atitude de todo o pessoal da Casa dos Pobres, no que a diretores e trabalhadores diz respeito, de pé ao lado da presidente, em claro sinal da unidade que ali dentro tem sido uma das razões da continuidade da instituição.
Registe-se de igual modo a presença da líder da coligação Avançar Coimbra, Ana Abrunhosa, que ao saber deste triste episódio, que em alguns trabalhadores causou profunda mágoa e revolta, decidiu estar presente com parte da sua equipa, em claro sinal de que na instituição não só confia como apoia e estimula.