22 de Agosto de 2019 | Coimbra
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“Qualidade de vida das pessoas é a grande prioridade da Junta de Santo António dos Olivais”

7 de Setembro 2018

A qualidade de vida da população continua a ser a grande prioridade da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais. Em entrevista a “O Despertar”, o presidente Francisco Andrade aponta como áreas fulcrais a higiene e limpeza, o trabalho com as escolas e obras fundamentais para o dia a dia dos muitos milhares de pessoas que vivem e trabalham nesta freguesia, a maior de Coimbra e uma das maiores do país.

Quais são os seus maiores desafios para este novo mandato, que começou já há perto de um ano?

Os desafios são pontuais e diários. Não adianta estar a fazer grandes projetos para o futuro quando a qualidade de vida começa no dia a dia com respostas aos problemas diários. Estamos a falar de uma freguesia enorme e lamento que só tenha importância para a parte política na hora das eleições. Este peso eleitoral que tem é muito considerado nessa altura mas, passadas as eleições, somos considerados ao mesmo nível de outras freguesias, com todo o respeito que tenho por cada uma delas, porque não pretendo com isto desvalorizar nenhuma. O que quero dizer é que a minha freguesia é renegada. E basta olhar para esta realidade: nós trabalhamos trimestralmente através de protocolos com a Câmara, temos 35 mil eleitores e recebemos 1,40 euros por cada, quando estamos a gastar 2,20 por cada na parte da limpeza. Se tivermos em conta os 60.000 moradores estamos a receber 0,50 euros e a gastar 0,70. Mas, se juntar a isto, mais 60.000 pessoas que entram diariamente nesta freguesia – seja para trabalhar nos hospitais, grandes superfícies, virem às consultas ou que se movimentam apenas na freguesia – é fácil perceber que todo este movimento provoca desgaste e exige outra resposta. Se tivesse em conta todos estes números, nem um cêntimo recebia. Temos as mesmas preocupações ao pensarmos nas escolas, onde aquilo que acontece ultrapassa de longe aquilo que as pessoas podem imaginar. Neste momento, no primeiro trimestre, gastei com as escolas mais 1.183 euros do que aquilo que recebi. Todo este trabalho é documentado com ofícios, de forma a que a Câmara tenha conhecimento do trabalho e dos gastos que temos.

A Junta conta, atualmente, com uma vasta equipa de profissionais. Tem sido possível dar resposta a todas as solicitações?

Nós recebemos na Junta cerca de 30 pessoas por dia e chegam-nos à volta de 18 emails também diariamente, com pedidos diversos. Neste momento, temos 24 pessoas a trabalhar nesta Junta e, destes funcionários, 11 estão só na parte da limpeza. Para além disso, dispomos de um trator, uma máquina de limpar passeios e oito máquinas de discos. Para as escolas temos duas pessoas a trabalhar diariamente e tivemos que adquirir uma viatura só para dar resposta a essa área. Esta é a nossa realidade. Posso dizer que temos uma lista com 724 ruas que pertencem à freguesia, algumas não pertencem ao nosso protocolo mas nós ultrapassamos o protocolo que temos com a Câmara e vamos a situações que não são da nossa competência, porque o que nos interessa não é só a nossa freguesia mas também toda a cidade de Coimbra.

Essa articulação com a Câmara tem funcionado bem?

Estou convencido que a Câmara está atenta a isso. Facilmente se percebe que se eu tiver uma casa só com uma pessoa e outra com 20 é lógico que a segunda tem outro desgaste. O mesmo sucede com as escolas novas, que têm dois defeitos: primeiro têm material caríssimo, desde as pilhas das torneiras às dezenas de fechaduras de que se perdem as chaves; segundo têm um grande número de alunos, o que exige mais intervenções e respostas. A Junta de Freguesia não tem que ser responsável por tudo isto mas o que nos interessa é resolver e responder bem.

Já no seu anterior mandato, assumiu sempre que o mais importante era a qualidade de vida dos cidadãos. Esta continua a ser a sua grande prioridade?

Sem dúvida, a qualidade de vida das pessoas é a grande prioridade da Junta Santo António dos Olivais, freguesia com uma área muito grande, que exige respostas a muitos níveis. No caso das limpezas, que tem sido o mais exigente nos últimos tempos, temos um problema porque tudo o que temos para limpar está ao pé da porta. Isto cria muitas complicações. Há situações que nos chegam aqui, de pessoas muito aborrecidas, sobretudo com as questões da limpeza, situações que, por vezes, se resolviam facilmente e que são até da competência dos proprietários. Nos outros países quem não limpar à frente da sua porta tem a sua multa. Nós aqui, por uma coisa de nada, reivindicamos, pedimos urgência. Acho que, por vezes, é também uma questão de civismo. No caso das juntas de freguesia é fácil chegar ao presidente, falar com ele, mas as pessoas têm que perceber que nem sempre é fácil resolver todos os problemas de um momento para o outro numa freguesia com a dimensão da nossa. Até pelo ano atípico que tivemos, em que a erva crescia 25 centímetros em 15 dias, como nos foi dito pelos técnicos da Proteção Civil. Por conseguinte, houve sítios onde a Junta passou quatro e cinco vezes e outros onde não passou nenhuma porque tivemos que dar prioridade aos casos mais urgentes.

A Câmara assinou, recentemente, Contratos Interadministrativos de Delegação de Competências com as freguesias. Santo António dos Olivais foi contemplado com 193.230 euros. A que obras se destina este montante?

Como foi dito na altura, estas verbas destinam-se, de uma forma geral, à realização de obras variadas, que se prendem com a qualidade de vida e com o bem estar das populações, como ruas, passeios… Mas devo dizer que este dinheiro vem para as empreitadas definidas, passa da Câmara para o empreiteiro. Nós fizemos um plano de obras que apresentámos no nosso plano de atividades. Somos obrigados a apresentar na Assembleia de Freguesias em janeiro aquilo que vamos apresentar para o nosso plano de obras para um ano. Esse plano é feito por nós com base nas necessidades. Mas há obras que não avançam por outros condicionalismos. Por exemplo na Quinta da Maia ainda há zonas que não pertencem à Câmara, que ainda são do loteamento, e quando nós apresentámos a obra ela não é viável porque ainda não é público. Mas isso não significa que não é precisa e claro que vamos ser atacados porque não a fizemos.

Quais são as obras que considera mais urgentes?

As obras que estão já autorizadas pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC) não contemplam todas as que pedimos mas permitem que façamos uma parte do que temos projetado para os quatro anos de mandato. Depois da autorização segue-se agora a parte técnica da responsabilidade dos engenheiros da CMC depois da qual ficamos em condições de convidar quatro ou cinco empresas a concorrer. Competirá ao júri, constituído por elementos do executivo da Junta de Freguesia e por um dos engenheiros do Gabinete de Apoio às Freguesias da CMC (por nós convidado) selecionar a(s) empresa(s) que terão a responsabilidade de efetuar a obra. Este procedimento ocorre em relação ao alcatroamento, construção de passeios, escadarias, colocação de corrimãos, etc. O caricato de tudo isto é que as obras deveriam estar prontas em novembro, estamos em setembro e nada de concreto está feito por falta dos pormenores técnicos que devem constar nos cadernos de encargos de cada projeto. Só depois deste trabalho poderemos colocar em prática o que em teoria está aprovado.

São tudo obras a pensar no dia a dia das pessoas…

Sim, mas que pertencem a um projeto que fizemos para quatro anos. Neste momento já estamos a incluir as obras que consideramos determinantes para a freguesia. Depois destas, a Junta tem que apresentar à Câmara as obras a realizar em 2019. Já recebemos a notificação para o fazermos em setembro e vamos apresentar aquelas que nos parecem prioritárias, tendo em conta uma série de requisitos. A palavra final pertencerá sempre à Câmara Municipal de Coimbra.


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