2 de Maio de 2026 | Coimbra
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CLARA LUXO CORREIA

Para a semana volto!

31 de Janeiro 2025

Queridos leitores, prometo roubar-vos uns belos sorrisos… amanhã é dia de festa porque irei celebrar, num almoço com colegas-amigos, os 30 anos do início da minha carreira na banca. Trabalhar na banca foi toda uma aventura, que durou 4 anos e que marcou muito (e bem) a minha vida profissional.

Entrei no Banco de Fomento e Exterior (BFE) no início do ano de 1995. Naquele tempo o meu banco pertencia a um grupo financeiro onde também estava o Banco Borges & Irmão. O grupo de jovens quadros que integrei começou a sua formação em Lisboa. O nosso local de trabalho era a sede do BFE na Casal Ribeiro, bem pertinho do Saldanha. Fiquei a dormir na “Pensão Pulga”, com uma colega, porque não havia orçamento para melhor. Naquelas primeiras semanas estávamos em período de prova. A minha rotina era muito simples: acordava cedinho, tomava o pequeno-almoço e ia para o banco aprender a trabalhar. A maior parte das horas de formação eram passadas em sala, o que foi um “martírio” porque me dava muito sono. No final da formação ia para a pensão dormir uma sesta, jantava qualquer coisa simples e ia para a Avª 24 de julho ou para o Bairro Alto, na companhia dos meus colegas de trabalho. Deitava-me perto da hora que me deveria levantar e como consequência passava aquelas “tardes de sofrimento” enquanto os simpáticos formadores falavam de “métodos de amortização de empréstimos”, de “taxas de juro” de “ações, aplicações e outras cenas”. Aquelas semanas de formação (e diversão) em Lisboa deixaram muito boas memórias…

Nos anos de atividade profissional na banca passei por mais algumas cidades: Vila Nova de Famalicão (cidade onde me diverti em belas tertúlias sobre futebol), Braga (cidade onde me senti ainda mais jovem do que era), Viseu (cidade onde ganhei a minha muito querida família Cabo-Verdiana), Águeda (cidade onde melhor comi e vi beber) e Coimbra (a minha amada cidade-berço).

Desde cedo percebi que seria bancária durante uns tempos, mas que aquela atividade não era para a vida toda… eu era aquela senhora que comprava o “Semanário Económico” para esconder “A Bola” … eu era aquela senhora que queria ir para o trabalho de mota e que não podia porque a roupinha boneca, os sapatinhos a brilhar e a carteira jolie não permitiam andar confortavelmente na minha mota…

Tenho consciência que a banca foi uma importante escola de rigor e de respeito pelo valor do dinheiro que não era meu. Tive a felicidade de trabalhar num banco dirigido por um senhor economista, Miguel Cadilhe, que dava muito boas condições aos seus profissionais. Lembro-me que recebia anualmente o valor equivalente a um ordenado mensal para gastar em cultura, porque o banco queria que os seus funcionários pudessem conversar com os clientes sobre os temas mais diversos. Fui muito ao cinema, ao teatro, à ópera, a concertos … comprei livros e música, graças a este apoio do Banco de Fomento e Exterior.

Algumas das histórias mais engraçadas deste período da minha vida aconteceram em Viseu. O balcão ficava perto do Rossio e eu vivia com uma família num bairro muito giro. A minha senhoria é, desde essa altura, família e os seus filhos são sobrinhos-presentes da minha vida. O Joãozinho, que tinha quase 2 anos quando o conheci, apendeu a chamar-me “quarinha” e quando acordava caminhava até à sala com uma fralda na mão. Ali a primeira coisa que fazia era ligar a música e logo de seguida começava a dançar … lá em casa vivia um papagaio que gritava “Mamã” tão bem como o Joãozinho… era muito divertido chegar a casa e brincar com as duas crianças: Inês e Joãozinho. Sou muito agradecida à Mãe-Lena e ao Pai-Zézinho pelo carinho com que me receberam na sua casa… (a Mãe Lena tinha trabalhado com a Mãe Rosarinho no Hospital Pediátrico).

Termino com uma das histórias mais deliciosas que recordo do balcão de Viseu: tínhamos clientes que, uma vez por semana (no dia da feira), passavam no balcão para verem as suas notas depositadas no banco. A “cena” era muito gira, entravam com um sorriso entusiasmado e diziam: “Vim ver as minhas notas”. Eu respondia: “Dê-me um momento que vou buscá-las”. Esta rotina não era para mim uma surpresa e por isso tinha sempre umas notas fora da caixa-forte, preparadas para receberem a visita dos seus donos. Esta visita terminava com alegria e com uma promessa: “Para a semana volto”!

 


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