Localizado no número 12 do Beco do Forno, na Baixa de Coimbra, o Zé Manel dos Ossos é um espaço emblemático da cidade e uma paragem obrigatória, seja para estudantes, turistas ou para quem vive na região.
Ao entrar neste restaurante logo se percebe que é diferente. A sua sala estreita com apenas sete mesas (em cada sala), o balcão comprido onde chega os pratos de comida, a decoração das paredes com recados e mensagens feitas em bocados de toalhas de papel, e a presença de objetos antigos decorativos mostram o porquê de ser uma casa que está sempre cheia, sem esquecer claro o cheiro agradável que se faz sentir logo ao virar da esquina da rua que facilmente se adivinha de onde vem.
Zé Manel dos Ossos nasceu em 1959 pelas mãos de José Manuel Ribeiro Franco (já falecido), que atribuiu o próprio nome aquela que seria a verdadeira tasca portuguesa. Inicialmente, o espaço começou por ser de vinhos e de pasto. Contudo, um dia, pensou em criar algo diferente para acompanhar as bebidas e pretendia criar um espaço que marcasse a diferença. Foi então aí que se lembrou de cozinhar ossos de espinhaço de porco. “O Zé Manel teve a ideia de começar com estas coisas diferentes, comidas e ambiente, e supostamente foi a primeira tasca do país a servir ossos aos clientes, do qual eles adoram e continuam a adorar”, afirmou Rui Ferreira, gerente do espaço.
A ideia dos ossos teve tamanho sucesso que hoje em dia é conhecido por essa iguaria, e muitos são os clientes que procuram o restaurante com a curiosidade de conhecer e experimentar.
Casa sempre cheia
Rui Ferreira não esconde a satisfação que é ter a casa sempre cheia. Há dias que se fazem filas à porta e a espera até pode ser longa, mas as pessoas não arredam pé sem antes provar os famosos ossos. “Temos muitos clientes turísticos que procuram as nossas comidas, os ossos são sempre certo”, sublinha.
Entre várias histórias que se vão criando por ali, o gerente do Zé Manel dos Ossos destacou o facto de muitas pessoas passarem a mensagem e levarem o nome do restaurante para os quatro cantos do mundo. “Tive cá um casal de americanos que vieram porque tiveram uns amigos que nos visitaram e falaram-lhes deste lugar. Disseram-lhes que eles tinham de vir aqui e até traziam num papel o que tinham de comer e tudo. Estamos a falar do outro lado do mundo. Também temos muitos clientes brasileiros que nos gabam o arroz de feijão”, destacou o gerente do espaço que ali trabalha há mais de 36 anos.
Consciente de que o espaço é pequeno demais para a “fama” do restaurante (tem apenas duas salas com sete mesas cada, o que leva pouco mais de três dezenas de pessoas de cada vez), nada faz mudar a estrutura ou até mesmo procurar novas instalações.
“As pessoas fazem questão de vir cá comer e não se importam de esperar para comer as nossas comidas típicas. Sabemos que o espaço é pequenino, mas não se mexe, continua assim porque é como a gente diz ‘o que é bom não se mexe’. A gente prefere que as pessoas esperem lá fora do que isto ser grande e estarem na mesa à espera da comida”, vincou Rui Ferreira.
Para além dos ossos
Apesar de na ementa se destacar os famosos ossos, há muito para além disso e igualmente tentador.
A feijoada de javali, o arroz de feijão malandro com costeletinhas de porco, o polvo com molho especial, o lombo de javali assado no forno, o bacalhau doidinho ou as barriguinhas na brasa são apenas mais algumas das especialidades desta tasca da baixa de Coimbra que se fazem sempre acompanhar pelas intermináveis jarras de vinho. Entre os mais procurados estão também os cogumelos aporcalhados e a chanfana da casa, iguarias que segundo Rui Ferreira “não se veem em mais lado nenhum”.
O preço médio de uma refeição pode ir dos 10 aos 15 euros e o espaço não faz reserva de mesas, sendo por isso servidos por ordem de chegada.
Decoração é ponto atrativo
Quem passa pela tasca do Zé Manel dos Ossos não sai de lá sem deixar marcada a sua presença. As paredes do espaço já deixaram de se ver e deram lugar a bilhetes manuscritos, recados, dedicatórias, declarações, versos de canções e elogios. As toalhas de papel da mesa servem para rasgar e ficarem ali o tempo que aguentarem.
Rui Ferreira diz que nenhuma mensagem é colocada fora. Devido ao excesso de papel amontoado, alguns bilhetes vão caindo, mas são todos guardados em sacos.
Olhando para as paredes, é possível ver todo o tipo de recados. Até pedidos de namoro são feitos.
Material de caça, panelas de ferro, candeeiros são alguns dos objetos que estão exibidos também pelas paredes.
Zé Manel dos Ossos faz parte da cultura de Coimbra e é parte integrante da vida académica, sem esquecer que é também um verdadeiro chamariz turístico.
O restaurante está aberto de segunda-feira a sábado, ao almoço, das 12h30 às 15h00, e ao jantar de segunda a sexta-feira, das 19h30 às 22h00.