O grupo musical Lookalike é composto por Carlota e Sofia Tavares, que lançam hoje (3) “Deusa”, o seu álbum de estreia.
As irmãs gémeas têm 25 anos e são naturais de Coimbra, tendo ido viver para Aguim, no distrito de Aveiro, em tenra idade.
O gosto pela música esteve sempre presente e foi aumentando à medida que cresciam, uma vez que o pai de ambas também é músico e tocou em bares durante 20 anos.
“Estamos muito habituadas a adormecer em cima de uma coluna”, revelou Sofia Tavares.
Gravaram a sua primeira música, “Tartaruga”, aos quatro anos e compuseram “Chuva ácida” aos 12, tendo esta sido a primeira canção original da dupla.
DO SONHO À CONCRETIZAÇÃO
À medida que o tempo ia avançando e o sonho crescendo, as jovens cantoras decidiram que queriam algo mais.
Desta forma, em 2018, as duas irmãs decidiram avançar com o projeto “Lookalike”, cujo nome surgiu por sugestão de uma amiga de família. Ao princípio houve alguma resistência ao nome pelo facto de apenas cantarem em português, mas, depois de alguma reflexão, Carlota e Sofia Tavares decidiram que talvez fosse boa ideia.
Começaram por fazer backvocals de bandas e, um pouco mais tarde, passaram a lançar covers de músicas na plataforma digital Youtube, assim como diversas músicas originais, o que resultou num grande número de pessoas interessadas em seguir a página do grupo.
No ano seguinte, em 2019, começaram a dar concertos e, segundo Carlota Tavares, “tivemos muita sorte”.
Foi nesse ano que atuaram nos festivais “Sol da Caparica”, “Expofacic” e “Festas do Mar”, e puderam, assim, dar um passo em frente na construção da carreira.
Em 2020, e apesar de o mundo estar a enfrentar uma pandemia, Carlota e Sofia Tavares continuaram a produzir no estúdio, construído numa divisão da casa onde vivem com a família.
Enquanto pessoas, confessam-se “muito diferentes”, mas destacam a forma como se completam. Segundo as jovens, é essa diferença que faz com que o trabalho em dupla funcione “tão bem”, uma vez que contribui muito para a criatividade de ambas.
Escrevem, na maioria das vezes, em conjunto, mas admitem que, quando assim não é, pedem sempre conselhos e opinião uma à outra.
Nos momentos que têm sozinhas acabam por “surgir, muitas vezes, canções independentes”, explica Carlota Tavares ao Despertar.
Grande parte das canções que compõem são acerca de vivências de ambas e de alguns amigos, uma vez que “há histórias que nos contam que dão perfeitamente para escrever uma canção”.
De acordo com Carlota, também é bom escrever sobre “coisas que nos magoam”, porque “a tristeza, para o artista, é uma fatia de pão de ló [risos]”.
“DEUSA” É LANÇADO HOJE
Um álbum sempre foi algo muito desejado pelas gémeas, que revelam nunca ter havido um momento certo.
Até que há algum tempo, “o momento” chegou e, tendo em conta que o álbum estreia hoje, as artistas consideram que “é tudo uma questão de timings” e afirmam: “Ainda bem que aconteceu agora”, visto que, aos 25 anos, já “sabemos o que queremos e como queremos escrever”.
Denominado “Deusa”, composto por nove músicas, e produzido com a ajuda de artistas como Agir, o álbum é “uma coisa nova para as Lookalike e para o público em geral, apesar de não ser um corte com aquilo que fizemos no passado”, explica Sofia Tavares, salientando que vai ser possível perceber que “estas são as Lookalike”, até porque, anteriormente, “escrevemos músicas que eu adoro, mas sinto que qualquer artista pop as pode cantar”.
Carlota Tavares mostra-se satisfeita com o resultado, revelando que o disco tem uma sonoridade e uma escrita “muito mais matura”. “Sinto que quem ouvir vai achar que, realmente, a música é cantada pelas Lookalike”, remata.
As nove músicas foram selecionadas com cuidado, e só estão incluídas “as melhores”, tendo em conta que, no total, Sofia e Carlota Tavares compuseram cerca de 30 canções, nas quais falam acerca de uma figura feminina “decidida, dona dela mesma, autêntica e sem medos”, a partir da qual foi escolhido o nome “Deusa”.
Ao público explicam que “o álbum não é sobre nós” e por isso é que tem o nome “Deusa”, em vez de “Deusas”, revelando-se orgulhosas do trabalho que foi pensado e projetado durante muito tempo.
O álbum, cuja conclusão demorou mais de um ano, conta com diversos tipos de género pop, adaptando-se a todos os gostos.
Questionadas acerca das músicas que mais gostaram de escrever, Carlota e Sofia Tavares apontaram “Alice” e “Out Cuture” como suas favoritas, pela forma como “mudaram completamente o álbum para melhor”, mostrando-se entusiasmadas e explicando que o público deve esperar, deste lançamento, “coisas diferentes, frescas, inovadoras e boas”.
Com as novas canções, pretendem que os fãs se sintam “empoderados”.
Contando com uma carreira com cerca de seis anos, as jovens cantoras e compositoras descrevem como “inesquecível” tudo aquilo que a música já lhes proporcionou, uma vez que “nunca mais vamos ter 25 anos e estar a gravar músicas com os nossos amigos”. Ainda assim, consideram-se pessoas que nunca estão saciadas e contam que ainda há muito caminho pela frente.
As jovens revelaram ao Despertar que, depois de concluído o álbum, já voltaram a escrever mais canções, explicando que todos os dias passam, pelo menos duas horas no estúdio, mostrando preferência por gravar da parte da manhã. “Não somos morcegos de estúdio”, mas, quando estão a produzir, nunca lá passam menos de 10 horas.
Nos planos futuros estão, para já, mais álbuns e algumas colaborações com artistas nacionais, tais como Ana Moura, Nenny ou Fernando Daniel.