13 de Maio de 2021 | Coimbra
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FBB criou Linha SOSolidão para apoiar seniores mais vulneráveis

12 de Março 2021

A Linha SOSolidão, criada pela Fundação Bissaya Barreto (FBB) há cerca de 10 meses, registou 68 por cento de pedidos de ajuda por parte de idosos que se encontram em casa com problemas de saúde mental, cada vez mais isolados devido à pandemia.

Criada para complementar os serviços da Linha SOS Idoso, mais direcionado para a violência contra idosos, esta nova resposta da FBB nasceu já em contexto de pandemia e, de acordo com a assistente social Marta Ferreira, “foi pensada precisamente para colmatar as necessidades criadas neste contexto de pandemia, nomeadamente ao nível da solidão e do isolamento social e geográfico”.

Nos seus primeiros dez meses de existência, de abril de 2020 a fevereiro de 2021, a Linha registou 68 por cento de casos de problemas de saúde mental. “As perturbações depressivas e as perturbações de ansiedade surgem com acentuada frequência, desde a criação da Linha de apoio, e regista-se um aumento de contactos de idosos que apresentam outras patologias, como esquizofrenia e perturbações delirantes, psicóticas e de bipolaridade bem como declínios cognitivos ligeiros, ou mais graves, como doença de alzheimer”, explica a Fundação.

Marta Ferreira adianta que foram detetados “casos de solidão e abandono” que exigiam “uma intervenção a nível emocional e psicológica, de forma a identificar quadros demenciais que possam existir”. Lembra que, no atual contexto de pandemia, “as pessoas têm mais dificuldades em recorrer aos serviços de saúde”, procurando esta Linha “ajudar na luta contra a ansiedade e depressão e contribuir para uma melhoria global das condições de vida desta franja da população”.

A maioria dos contactos são de mulheres, entre os 65 e o 75 anos, viúvas e que residem sozinhas em zonas urbanas. Marta Ferreira explica que, no caso desta Linha, são sobretudo “pessoas que no fim da vida ativa sentem uma quebra”, à qual é associado agora este isolamento imposto pela pandemia. “Acabam por sentir a solidão ainda de uma forma mais acentuada. Sentimos que são pessoas sem retaguarda familiar, de amigos ou de vizinhança. Apesar de terem família, esta acaba por não ter aqui um papel relevante, ou por não ter proximidade a nível físico ou por não querer”, explica, realçando que como são ainda pessoas “muito novas e dinâmicas não sentem necessidade de recorrer ao serviço de apoio domiciliário ou ir para um centro de dia, ficando muito sós em casa”.

De acordo com a FBB, a Linha SOSolidão registou nestes 10 meses 435 contactos e 198 pedidos de ajuda, que levaram à abertura de 123 processos internos e a 94 pedidos de esclarecimento. “Cerca de 30 por cento das pessoas está a receber acompanhamento permanente, por se encontrarem em situações de elevado risco e vulnerabilidade”, explica a FBB em nota divulgada, onde refere, ainda, que “muitos dos idosos que contactam a Linha de apoio têm experienciado ideações suicidas, delírios persecutórios, ataques de pânico e insónias”.

A Linha dispõe de uma psicogerontóloga que realiza testes de rastreio neuropsicológico para avaliação do estado cognitivo e da sintomatologia depressiva das pessoas idosas, com o intuito de delinear uma intervenção focada no problema. Depois desta primeira intervenção, os profissionais articulam com unidades de saúde, rede de apoio social, forças de segurança, entre outras, para assegurar o melhor acompanhamento.

Esta linha é nacional e gratuita e destina-se a apoiar cidadãos seniores que se encontram mais vulneráveis, em situação de isolamento social ou geográfico, promovendo companhia, partilha e articulação com as entidades locais para uma atuação mais estruturada. Está disponível através do número 800 91 29 90, entre as 10h00 e as 17h00, todos os dias úteis. Pode também ser realizado contacto através do email sosolidão(a)fbb.pt


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