12 de Março de 2026 | Coimbra
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Martinho

ENSAIO CRÍTICO SOBRE “LINHAS VERMELHAS” – II

13 de Dezembro 2024

E revê-se no seu privilégio de aluno do liceu e de em 24/4/1974 ter assistido à atitude do professor de canto coral, salazarista convicto, de virar as costas ao Hino da Mocidade Portuguesa (na qual o destemperado Otelo foi formador remunerado, ao tempo), “passando a ensinar a KalinKa, que era a expressão da sua adesão à coisa soviética, em que o Autor se veio a encontrar com aquela dança no seu meio natural”…

Contrasta as amarguras da ditadura com os discursos vibrantes do (louco) Vasco Gonçalves, no potencial das (famigeradas) Reforma Agrária e das Nacionalizações (de má memória), cujo produto nunca desvendei, e do (diz o autor) entristecimento depois do 25 de novembro de 1975. Entristecimento para os comunistas, que tomaram de assalto as empresas, as instituições, os órgãos de soberania, sanearam trabalhadores que viviam do seu trabalho e usurparam-lhes os lugares para os camaradas ocuparem, sem a mínima preparação, gerando o caos em que o país mergulhou durante os oito meses de balbúrdia (de 11 de março até 25 de novembro de 1975), com o propósito de aqui implantarem o verdadeiro regime fascista, da URSS, que esta patrocinava. Azar o deles, porque a traição não vingou.

Dando ênfase ao apocópico “facho”, refere o Autor que “riscou-se o fósforo e o facho é abraçado pelo fogo. Não arderá já por conta da guerra colonial, das prisões fascistas, do lápis azul, da sujeição à luta clandestina e por culpa de catarinas e pintores assassinados, que o canto do protesto imortalizou…” Só escapou o Tovarish (camarada) Camilo Mortágua, vítima do fascismo russo, estrangeirado, terrorista de profissão, comunista a soldo da União Soviética, membro da DRIL, do Luar, elemento da fundação das Brigadas Revolucionárias, em Argel, e um dos organizadores da ocupação de várias propriedades no sul do país, sendo a mais famosa a Herdade da Torre Bela e, tomando-lhe o gosto, até adquiriu a de Alvito, não se sabe como, para se saciar das suas aventuras.

Utilizou a luta armada contra vítimas inocentes: assaltos a bancos (Figueira da Foz, que rendeu 30.000 contos), ao barco Santa Maria (onde assassinaram o piloto João José N. Costa e balearam duas pessoas, entre elas o médico de bordo Cícero Campos Leite), e colocaram bombas em diversos alvos civis – creio que tudo em nome de uma democracia de terroristas, num único sentido, pelo que mereceu a condecoração da Ordem da Liberdade, pelas mãos do “insuspeito Jorge Sampaio”. Há razões que a razão desconhece.


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