13 de Maio de 2021 | Coimbra
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SANSÃO COELHO

E vão… quantos?

1 de Março 2019

Amanhã vamos olhar para este jornal e perguntar-lhe: E vão…quantos? Mais do que cem. É um jornal histórico que com passos seguros vai fintando a crise que se instalou na Comunicação Social em geral e nos jornais impressos em particular. Todos sabemos que todo o tempo é tempo de mudança e é pelas mudanças que vamos progredindo. O DESPERTAR tem ziguezagueado para sobreviver. Entrou também na internet procurando acompanhar os novos desafios tecnológicos. Recordo-me que antes do 25 de Abril de 1974 entre Porto e Lisboa não existia um único parque gráfico (com exceção do que imprimia o Diário de Coimbra) para podermos editar com regularidade e com tiragens substanciais jornais periódicos. A Gráfica de Coimbra, então propriedade da Diocese, era a única tipografia habilitada a imprimir periódicos, a maioria, publicações paroquiais de tiragem reduzida. Fui editor de um semanário com o título CENTRO DESPORTIVO que se publicava às terças-feiras, mas quantas vezes, ainda na quarta, estava a ser impresso. Não se podia crescer! Portugal ganhou com a Revolução de Abril em muitos aspetos e de forma significativa nos Média. Para além da LIBERDADE DE IMPRENSA julgo que crescemos muito no campo mediático em Portugal das Redações às Instalações Gráficas e na formação dos jornalistas e designers. Aliás, penso que crescemos acima do INVESTIMENTO PUBLICITÁRIO possível por parte do tecido empresarial e o bolo publicitário está cada vez mais fragmentado e não cresce. Novos players, designadamente na televisão, mostram-nos um país com diversos canais portugueses, dos generalistas aos temáticos e, nestes, há uma profusão dos informativos. Tanta mudança. Quarenta anos antes em O DESPERTAR, ali ao subir para o Pátio da Inquisição, os inesquecíveis SOUSA juntavam com uma pinça os carateres de chumbo de forma minuciosa e cuidada. Na Gráfica o senhor Ferreira já teclava numa robusta máquina o que permitia que os carateres saíssem bem ordenados, mas ainda em chumbo por linhas. E as fotografias baseavam-se em zincogravuras. Coimbra tinha apenas o Emissor Regional no plano radiofónico e uma ou duas equipas de produtores independentes… e nada de televisão. Os jornais tinham muitos leitores e os desportivos, em concreto A BOLA, à segunda-feira, obrigava a formar bichas à porta da Estação Nova. Hoje temos em Portugal TELEVISÃO DE EXCELÊNCIA, acima das nossas capacidades, com as rádios e os jornais a esforçarem-se sôfrega e sofridamente para manter públicos recorrendo às novas tecnologias, mas com muita dificuldade para enfrentarem a sedução/pulverização das Redes Sociais e de um ONLINE multifacetado surpreendendo-nos pela profusão de temáticas. O Rei Telemóvel vai poder alargar (duplicar) o ecrã e será a principal extensão eletrónica do corpo humano. Cientifica-se a área comunicacional. Teoriza-se de forma crescente. Há vanguardas. Há investigadores. Tudo é bom. É excelente. A crise de que falei no início deste texto é de ordem financeira, por falta de mais publicidade e de um apoio significativo aos Órgãos de Comunicação Social em especial os que estão ao Serviço das Comunidades Locais e Regionais. Para mim, contudo, nada me conforta tanto como receber à sexta-feira o jornal, mais do que centenário, O DESPERTAR, este que tem provavelmente nas suas mãos. Sempre que o recebo acaricio-lhe o papel, folheio-o afetivamente, reencontro-me com a atualidade da região, mergulho no espaço dos meus companheiros OPINATIVOS. Na última sexta regozijei-me com a foto do decano dos jornalistas da cidade VARELA PÉCURTO (fotojornalista) a expor na CÁRITAS, apreciei o testemunho do Dr. Nogueira a falar-nos das Filarmónicas como Conservatórios Populares e depois, cá em cima, o nosso decano, Dr. Bontempo, a escrever sobre O ÚLTIMO TROVADOR: ZECA AFONSO. Este jornal continua a ser popular e um cartão-de-visita de Coimbra, a mostrar que é possível ser CENTENÁRIO e JOVEM em simultâneo. Bata uma chapa, senhor VARELA. Toca a música, Maestro. A obra de Zeca, escreveu o Dr. Bontempo, “aproxima-se da ciência positiva e do mistério da condição humana”. Uma “obra honesta e imparcial”. Tudo isto se pode aplicar a O DESPERTAR – concordam? Dia 2 de março. Lindo dia! E vão… QUANTOS?!!! Aplaudimos. Depois damos as mãos a Coimbra e a O DESPERTAR.


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