“Ser livre é flutuar entre a diversidade e a multiplicidade sem perder a própria identidade.” (Dimos Iksilara)
Atualmente, a mentalidade relativamente às várias culturas e às diferenças culturais modificou-se. A interculturalidade supera as falhas do relativismo cultural, promovendo o diálogo intercultural como meio de enriquecimento mútuo das diversas culturas e contribuindo para a formação de uma cidadania intercultural. Compreendendo a natureza pluralista do mundo e da cultura, esta nova atitude é, ao mesmo tempo, a defesa da humanidade no seu conjunto. Devemos aprender a conviver num mundo de diferenças e globalizado, consciencializando-nos da complexidade e riqueza da inter-relação das díspares culturas, colaborando em conjunto e independentemente da cultura a que se pertença, na procura de soluções para os problemas mundiais que, a vários níveis, afetam a humanidade. O diálogo intercultural expressa-se não só nas sociedades multiculturais, como a nossa, mas igualmente a nível mundial, enquanto manifestação da união do múltiplo e enriquecimento interpessoal e intercultural. Do entrecruzamento das culturas, promovido pelo interculturalismo, advém a riqueza da humanidade só comparável com a harmonia, biodiversidade e riqueza que há na natureza. O interculturalismo, ao invés do relativismo cultural, rejeita a aceitação passiva das diferentes e individualizadas práticas culturais, recusa o isolamento das culturas, promovendo a interação entre as variadas culturas e defendendo a integração das culturas numa mesma sociedade global, mantendo-se, contudo, o respeito e tolerância pelas diferenças. Defende também a existência de valores interculturais, devendo haver um consenso sobre um conjunto de valores universais respeitados por todos.
Segundo Teilhard de Chardin, nenhum elemento da natureza, incluindo cada ser humano, consegue crescer senão com e por todos os outros ao mesmo tempo, pois as partes aperfeiçoam-se e completam-se em qualquer conjunto organizado. Nesse sentido, a mentalidade intercultural procura aproximar a humanidade, unindo as diversas culturas, mas mantendo a identidade de cada cultura apesar da miscigenação cultural. É essa identidade particular que contribui, apesar de tudo, para a riqueza do espólio da humanidade. A interculturalidade não pretende, desse modo, a homogeneização das culturas numa só cultura, mas tão só, promover a diversidade sob a base de um humanismo universalizante, através de uma constante dialética do uno e do plural.
Para além do diálogo intercultural, a diversidade de culturas é um valor a preservar e é segundo este princípio que devemos hoje compreender a relação entre a pluralidade de culturas. Sendo assim, os imigrantes e refugiados quando integram e se adaptam a uma nova cultura, nas diversas sociedades multiculturais, apesar de acederem a um novo património cultural não devem menosprezar a sua cultura originária, os seus valores e normas, crenças e rituais, transmitindo-a aos descendentes e mantendo-a viva, embora sem aquelas práticas culturais aberrantes que afetam o bem-estar. A integridade física e atentam contra a dignidade humana e a nossa civilização, assente na Declaração Universal dos Direitos Humanos. No fundo, é a sua cultura original que lhes dará razão de ser e de existir e reforçará a sua própria identidade como pessoas, como cidadãos e enquanto família, embora habitando num país e cultura estrangeiros.