5 de Setembro de 2026 | Coimbra
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Martinho

DESAFIOS À NOSSA DEMOCRACIA

4 de Setembro 2026

Num aceroso panfleto, a “antidemocrata”, Safaa Dib, de dupla nacionalidade, libanesa e portuguesa, trouxe à estampa, na Visão, de 16/07, p.p., um artigo temático sobre a emancipação da mulher, onde se insurge contra a proibição do uso da burca, véus e outras peças ou adereços “no discurso ocidental” e, concretamente, em locais públicos portugueses, focando também o caso das mulheres argelinas quanto ao posicionamento da França, colonizadora, em ter decidido, por motu próprio, os termos de libertação da mulher, “sem nunca lhe ter perguntado a sua opinião” e, ao mesmo tempo, mimoseia “a extrema-direita portuguesa de, em relação a esse vestuário, ser tantas vezes instrumentalizada para reforçar a narrativa de exclusão, insegurança e xenofobia”.

Convém trazer à colação, a proibição, total ou parcial, do uso da burca e de outros adereços, na Bélgica, Áustria, Dinamarca, Suíça, Países Baixos, Bulgária, Itália e em alguns países da Ásia, que pugnam pela sua cultura e segurança, combatendo o assopeado de ataques com armas brancas, de fogo, etc. dos heréticos valdenses e quejandos.

Alguém, em 1985, atraiu a sua família, de imigrantes libaneses, que com a Dib fugiram da guerra civil, em ebulição naquele país, e escolheram Portugal em busca de vida e educação melhores para os filhos, longe daquela efervescência, cuja filha, de dois anos, cresceu e estudou em Lisboa, onde se licenciou em Línguas e Literaturas Modernas, trabalhou como editora, é cofundadora do partido “LIVRE” e deputada municipal em Cascais.

Esta resenha teima em demonstrar a razão pela qual a sua família optou por Portugal, para cá viver e criar a sua descendência, e sem que nada lhe fosse exigido em troca, usufruindo do clima, do sossego, e do bem-estar, motivos que impulsionaram aquela herdeira a requerer, espontaneamente, a nacionalidade portuguesa, com todos os privilégios, próprios da sua condição política, social e económica. Com esses privilégios, só por cisma ou outra doença anómala, se terá sentido excluída, insegura ou paradoxalmente xenófoba, porquanto não se assumiu, nem terá desafiado, ornamentada com burca, a ordem jurídica, social, cultural e consuetudinária portuguesa, consolidadas há séculos no nosso país, senão não abdicava de inserir naquela sua narrativa uma fotografia denudada dessas imposições muçulmanas, perdendo assim qualquer “ismo” para criticar o “discurso ocidental”, bem como a prática das ideologias democráticas, dominantes em Portugal, que no presente, são lideradas em parte pelo PSD, CHEGA, Il e CDS, e das quais, obviamente, por inerência ao esquerdismo, o LIVRE está excluído – por vocação, por birra ou por nada -, e ao qual a antidemocrata esteve e/ou está ligada, tendo até integrado a estrutura do partido.

Por um princípio de ética, a mesma devia respeitar, intransigentemente, o  acervo da ordem jurídica, dos juízos de valor morais, culturais e costumes deste país onde se quis refugiar, a fim de obter a sua integração na nossa  comunidade para viver, princípio que ela vem violando, sistematicamente, dando exemplos de auto segregação, tendo até usado um subterfúgio, não conseguido, para lançar o anátema ao nosso sistema político democrático – que, pelos votos da maioria na A.R., aprovou a “Lei das Burcas, proibindo o uso das  mesmas em espaços públicos – mas que para desgosto seu,  “a A.R. não  convidou as mulheres (atingidas) para o debate, nem tinha que lhes perguntar o que pensavam?”, e muito bem dizemos nós, especialmente se tiverem um estatuto migratório, o que não será o caso da visada, na medida em que se quis assumir portuguesa de direito. Por outro lado, só era o que faltava, as mulheres imigrantes enfeitarem-se com os ditos adereços opondo-se ou postergando as leis portuguesas, plenamente vigentes na nossa querida Nação Portuguesa.

Toda a sua falaciosa obsessão pelo uso da burca e demais adereços –  obrigatórios ou toleráveis nos países em que radica a origem e a prática, a sua tradição religiosa, cultural ou obnóxia muçulmana, e dos seus imitadores -, nada nos incomoda ou afronta,  mas em Portugal mandam os portugueses e as suas leis, porque nele o imperativo fundamental é preservar a sua segurança, o bem estar, a cultura, os bons costumes e as  religiões consentidas e dominantes, exigindo dos seus visitantes e interlocutores, que os contactem com a cara completamente denudada, para lhes fixarem a fisionomia, isto é, para saberem com quem estão a falar, não vá o diabo tecê-las…


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