27 de Outubro de 2021 | Coimbra
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Censos: Sem estudantes, Coimbra passa os 140 mil

30 de Julho 2021

O concelho de Coimbra perdeu 2.600 habitantes nos últimos 10 anos. De acordo com os dados preliminares dos censos 2021 revelados anteontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), tem atualmente 140.796 (não inclui os estudantes que vêm de fora) e há 10 anos tinha 143.396. Regista, portanto, uma quebra de 1,8%, abaixo da média nacional, que se situa nos 2%.

Coimbra segue, no fundo, a tendência da maioria das capitais de distrito, sendo os municípios de Leiria, Aveiro e Viseu as únicas exceções, já que ganharam população. Comparativamente a 2011, Aveiro é a capital de distrito da região Centro que mais cresceu (3,1%), passando de 78.450 residentes em 2011 para 80.880 em 2021 (mais 2.430 pessoas). Segue-se Leiria, a segunda capital de distrito mais populosa do Centro, com um acréscimo de 1,4% (128.640 residentes este ano, contra 126.884 em 2011 – mais 1.756 pessoas em 10 anos). Viseu também cresce, embora num valor quase residual de 0,4%, ganhando 419 residentes e passando de 99.274 em 2011 para 99.693 em 2021. É de salientar contudo que, no seu todo, a região Centro, perdeu 4,3% de população nos últimos 10 anos.

Na Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra verificam-se quebras em todos os 19 municípios que a integram. Para além da diminuição em Coimbra, Arganil regista uma quebra de 8,9% (passou de 12.145 habitantes em 2011 para 11.067 em 2021); Cantanhede de 6,5% (passou de 36.595 para 34.218); Condeixa de 2% (passou de 17.078 para 16.733); Figueira da Foz de 5,1% (passou de 62.125 para 58.982); Góis de 10,7% (passou de 4.260 para 3.806); Lousã de 3,4% (passou de 17.604 para 17.012); Mealhada de 5,2% (passou de 20.428 para 19.358); Mira de 2,7% (passou de 12.465 para 12.126); Miranda do Corvo de 8,3% (passou de 13.098 para 12.014); Montemor-o-Velho de 6,1% (passou de 26.171 para 24.587); Mortágua de 6,7% (passou de 9.607 para 8.960); Oliveira do Hospital de 6,9% (passou de 20.855 para 19.421); Pampilhosa da Serra de 9,2% (passou de 4.481 para 4.067), Penacova de 14% (passou de 15.251 para 13.119); Penela de 9% (passou de 5.983 para 5.443); Soure de 10,3% (passou de 19.245 para 17.264); Tábua de 7,5% (passou de 12.071 para 11.163); e Vila Nova de Poiares de 6,4% (passou de 7.281 para 6.813).

Enquanto Nomenclatura de Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS) II, a região Centro é constituída por 100 municípios, os quais fazem parte de oito comunidades intermunicipais (Oeste, Região de Aveiro, Região de Coimbra, Região de Leiria, Viseu Dão-Lafões, Beiras e Serra da Estrela, Beira Baixa e Médio Tejo).

Inclui a maioria dos municípios de Aveiro, Viseu e Guarda, uma parte norte dos distritos de Lisboa e Santarém, e a totalidade dos municípios de Castelo Branco, Coimbra e Leiria.

Segundo os resultados preliminares divulgados pelo INE, apenas 13 dos 100 municípios do Centro ganham população, mas sempre abaixo dos 5% e quase todos, à exceção de Viseu, localizados na faixa Litoral.

O município da região Centro que mais população ganhou desde 2011 foi Torres Vedras (4,6%), a exemplo de quatro concelhos que lhe são próximos: Arruda dos Vinhos (4,4%), Sobral de Monte Agraço (3,8%), Alenquer (2,7%) e Lourinhã (2%), todos pertencentes ao distrito de Lisboa.

Para além de Aveiro, Leiria e Viseu, os restantes municípios que ganharam residentes na região Centro foram Ílhavo (1,7%), Óbidos (1,4%), Marinha Grande (0,9%), Oliveira do Bairro (0,5%) e Vagos (0,2%, um acréscimo de 54 pessoas em dez anos).

Do lado de quem perdeu população, todos os municípios dos distritos de Coimbra, Guarda e Castelo Branco apresentam variações negativas. No distrito da Guarda estão os dois concelhos com maior perda populacional no Centro – Almeida (-18,8%) e Figueira de Castelo Rodrigo (-17,7%) – seguidos de Castanheira de Pera (Leiria), com -17%.

País perde 214 mil residentes

A nível nacional, Portugal tem hoje 10.347.892 residentes, menos 214.286 do que em 2011. Segundo o INE, em termos censitários, a única década em que se verificou um decréscimo populacional foi entre 1960 e 1970. A população residente em 2021 tem um valor próximo do registado em 2001, quando residiam em Portugal 10.356.117 pessoas.

O decréscimo populacional registado na última década (-2%) resultou do saldo natural negativo (-250.066 pessoas, dados provisórios), sendo que o saldo migratório ocorrido, apesar de positivo, não foi suficiente para inverter a quebra populacional, sublinha o INE.

Os dados preliminares mostram que há em Portugal 4.917.794 homens (48%) e 5.430.098 mulheres (52%).

A análise por município permite verificar que os territórios localizados no Interior do país perdem população, sendo que os municípios que assistiram a um crescimento populacional situam-se predominantemente no Litoral, com uma clara concentração em torno da capital do país (Área Metropolitana de Lisboa cresceu 1,7%) e na região do Algarve (cresceu 3,7%). O Alentejo é, por outro lado, a região que regista o decréscimo mais expressivo (-6,9%), seguindo-se a Região Autónoma da Madeira (-6,2%).

Nos últimos 10 anos, dos 308 municípios portugueses, 257 registaram decréscimos populacionais e apenas 51 registaram um aumento. Na década anterior tinham assistido a quebras populacionais 198 municípios.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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