21 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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CANDIDATOS A DEPUTADOS POR COIMBRA DIZEM AO QUE VÊM

2 de Fevereiro 2024

O “Campeão das Províncias” tem vindo a publicar Entrevistas com os líderes das listas dos candidatos a deputados pelo círculo eleitoral de Coimbra. Dessas Entrevistas o Despertar publicará, com a devida vénia, aquelas passagens que mais têm a ver com assuntos de Coimbra, por forma a colaborar na divulgação das ideias e projectos da cada força política concorrente e assim tentar mobilizar melhor os eleitores para a votação.

 

A seguir respigamos de Miguel Cardina, candidato do Bloco de Esquerda (BE), e de Rita Alarcão, candidata da Aliança Democrática (AD), os seguintes trechos:

 

MIGUEL CARDINA

 

 FERROVIA

… A ferrovia é o meio de transporte do futuro, não há dúvidas quanto a isso. Coimbra, naturalmente, não deve ficar fora da Linha de Alta Velocidade. Agora, independentemente do facto de boa parte das decisões estarem a ser tomadas, é importante que as opções associadas à Alta Velocidade, à escolha exacta do traçado, à localização da estação e à sua envolvente, tenham em conta o necessário respeito pelas populações que possam ser afectadas, pelo ambiente, nomeadamente pelo Choupal, e estimular a participação cidadã nessa discussão pública.

 

RENDAS PROIBITIVAS

Em Coimbra, a renda subiu quase 23% em 2023 e noutras zonas da região, como é o caso da Figueira da Foz e não só, os preços também são altíssimos. Além disso, há dificuldades claras no alojamento estudantil. Em dois anos, o preço médio de um quarto para estudantes aumentou 32% e a oferta de quartos disponíveis para arrendamento diminuiu 40%. Há estudantes que entram no ensino superior e já nem se matriculam, porque não têm condições económicas para o fazer.

Precisamos de soluções urgentes neste campo. Entre outras medidas, é urgente impor tectos às rendas, combater a especulação imobiliária, reforçar o alojamento estudantil, garantir que 25% da nova construção é para habitação acessível e obrigar a Caixa Geral de Depósitos a baixar os juros do crédito à habitação como forma de aliviar as famílias e pressionar os restantes bancos a seguir o mesmo caminho.

 

 EQUIPAMENTOS DE SAÚDE

… O governo diz que a dotação orçamental aumentou, mas falta dizer que uma parte relevante desse financiamento é desviado para alimentar o negócio privado da saúde. Depois, poderíamos falar de casos específicos de Coimbra. A nova maternidade, por exemplo, é uma construção adiada, que tem de avançar rapidamente. E enquanto não for construída devem apetrechar-se devidamente as duas maternidades existentes. Além disso temos o erro feito com a fusão hospitalar, que, na verdade, significou a morte lenta dos Covões. Desmantelaram-se equipas constituídas, reduziram-se camas e aumentou-se a pressão sobre os HUC, com impactos nos tempos de espera nas consultas, nas urgências e nas cirurgias programadas.

No essencial, o ponto passa por aqui: não haverá solução para os problemas na saúde sem salvarmos o SNS. Um passo decisivo consistirá em contratar e melhorar carreiras e remunerações dos seus profissionais. Dar-lhes condições para que fiquem no SNS e não decidam ir para o privado ou para o estrangeiro. Sem esse passo, os problemas das urgências ou os adiamentos das intervenções cirúrgicas não vão ter solução.

Depois, é preciso sermos ambiciosos. Não faz sentido o Estado anualmente gastar milhões, comparticipando exames em laboratórios privados, quando podia utilizar os recursos e a capacidade instalada para realizar exames no público, poupando custos e reduzindo a espera pelos resultados. E também não faz sentido Portugal ser o país da OCDE onde mais pessoas dizem não conseguir satisfazer as suas necessidades de saúde oral. Propomos criar a carreira de médico dentista no SNS e contratar psicólogos e nutricionistas para garantir, a partir dos centros de saúde, acesso a estas áreas.

 

 INTERIOR ABANDONADO

… Há um problema de despovoamento do interior do país que precisa de soluções estruturais e de âmbito nacional. O Bloco defende a criação de um programa de reabertura de serviços públicos nos territórios de baixa densidade, acompanhado de incentivos à fixação de trabalhadores do Estado, que é uma condição indispensável para tornar estes territórios atrativos em termos sociais e económicos.

Importa também dar respostas de mobilidade. Olhemos para o caso do distrito de Coimbra. Não faz sentido que quem vive em Penacova e trabalhe em Coimbra tenha de enfrentar diariamente uma IP3 que, apesar dos remendos, continua um perigo. E também não faz sentido que quem vive em Serpins, Lousã ou Miranda do Corvo esteja pendurado há vinte anos numa solução de mobilidade provisória e que vai ficar como um dos exemplos de desrespeito absoluto dado pelo Poder Central à região.

Por outro lado, os territórios do interior têm de ser vistos para além de uma perspetiva extrativista, como se só fossem recursos e não vivessem aí pessoas; ou uma perspetiva romântica, que os olha como espaço de descanso e de ar puro, mas que, depois, se ataca ambientalmente. Dou um exemplo concreto. Veja-se o que se está a passar com a ameaça de criação de uma exploração a céu aberto de caulinos na zona de Soure. Desconsiderou-se o parecer da Câmara de Soure, não ouviram as populações e iniciou-se um processo que, a seguir em frente, terá um impacto negativo gigantesco no território, na economia e na saúde das populações. Quem ganha com isso? Uma empresa multinacional espanhola, não as populações mais imediatamente afectadas de freguesias de Soure e Condeixa, nem as populações da região.

 

 

 

RITA ALARCÃO

 

 

Bandeiras eleitorais

Gostaria de levar às pessoas uma esperança na mudança, que nos faça a todos acreditar que o Distrito de Coimbra pode e deve assumir uma nova centralidade no País. Como pólo de inovação, de criação e de empreendedorismo, considerando o extraordinário capital humano do Distrito. Só com crescimento se pode dar oportunidades de emprego aos jovens do Distrito e fortalecer o tecido industrial. Muitas destas temáticas são tratadas já no programa da AD apresentado. Destaco a aposta na iniciativa privada e na produtividade, orientando os Fundos Europeus para as empresas, a execução de infra-estruturas críticas nos domínios dos transportes, a redução da burocracia, entre outras. No Distrito, será essencial tratar com prioridade os investimentos críticos e tantas vezes adiados.

 

População

Neste campo a AD apresenta a proposta de aprovação de um Programa de Parcerias Público-Privadas para a construção e reabilitação em larga escala, quer de habitação geral quer de alojamento para estudantes. Uma das grandes riquezas e forças de Coimbra é a capacidade de atrair estudantes de todo o Mundo, com enfoque especial no Mundo Lusófono, e sem esquecer a singularidade das suas Repúblicas. A falta de alojamento estudantil penaliza esta força e impacta, de forma mais grave, quem tem maiores dificuldades financeiras, pondo em causa o sucesso do elevador social português. Daí que o investimento neste sector seja determinante, designadamente o que o Município de Coimbra está já a realizar. A reabilitação pode e deve ser uma chave crítica para devolver aos cidadãos a cidade e para a recuperação de habitações degradadas. Temos também medidas muito concretas neste campo, como o IVA à taxa de 6% nas obras e serviços de construção e reabilitação e alargamento da dedutibilidade.

 

Saúde

Na Saúde, como em outras áreas, é essencial atuar com o conhecimento profundo da realidade local, procurando soluções ajustadas ao território. Nessa medida, a AD, no seu programa económico, defende uma descentralização de competências do Estado central para os municípios e entidades intermunicipais, designadamente na área dos cuidados primários, naturalmente assegurando os meios para o efeito. O extraordinário cluster da Saúde em Coimbra tem de ser projectado e dignificado. O reforço de equipas locais e a aposta em unidades de saúde familiar e reforço de equipas locais e multidisciplinares parece ser essencial. Como princípio orientador, a AD aceita uma complementaridade entre ofertas pública, privada e social que possa acautelar falhas, quer de mercado, quer de intervenção pública.

 

Palácio da Justiça

O Novo Palácio da Justiça de Coimbra, bem como a deslocalização do Estabelecimento Prisional de Coimbra, são antigas e merecidas ambições adiadas da cidade de Coimbra. O investimento no Palácio da Justiça de Coimbra está já previsto na Resolução do Conselho de Ministros que aprova o Plano Plurianual de Investimentos na Área da Justiça 2023-2027 e, segundo pude apurar, em reunião de Câmara do passado dia 18 de Dezembro de 2023 a celeridade na sua execução foi reivindicada pelo Sr. Presidente da Câmara. É preciso que todos os esforços se unam neste propósito para que o Novo Palácio da Justiça não fique pelo papel.

 

TGV

O traçado do TGV apresentado em 2010, que se encontra inscrito no PDM de Coimbra e que dispunha de medidas de salvaguarda, foi abandonado unilateralmente pelas Infraestruturas de Portugal, sob a tutela do Dr. Pedro Nuno Santos. O TGV é um projecto estruturante e terá uma importância vital para Coimbra e para o Distrito, mas é natural que possa ter impactos negativos. O que não pode acontecer é que decisões sejam tomadas de forma precipitada, ou seja, sem o adequado planeamento e sem procurar as soluções que causem o menor impacto possível nas populações e no ambiente. Tenho acompanhado pelos jornais o louvável papel da Câmara de Coimbra na apresentação de propostas e soluções que reduzem o número de demolições e expropriações.

 

Setor social

O setor social encontra-se sob uma enorme pressão, fruto do aumento da inflação, mas também da falta de apoios públicos. Esta situação pode agravar-se se tivermos presente que o desemprego em Portugal está a subir há seis meses consecutivos. O Governo socialista fracassou também no exercício da função social do Estado. Há que promover o envolvimento de toda a comunidade e um bom exemplo é o protocolo de cooperação entre a Águas de Coimbra e a Cáritas Diocesana, assinado no início do ano, mas sei que existem no Distrito de Coimbra muitos outros bons exemplos aos quais gostaria de dar voz. Não nos podemos resignar perante a pobreza e, neste campo, Coimbra transporta o legado da sua padroeira Rainha Santa Isabel.

 

Marca eleitoral

Vou procurar perceber quais as maiores dificuldades e desafios, designadamente ao nível do emprego, das acessibilidades, da falta de investimento em infraestruturas essenciais (como por exemplo a Nova Maternidade e a ligação a Viseu). Para o efeito, a nossa candidatura vai promover o contacto pessoal com munícipes de todos os 17 concelhos e auscultar as ambições, sonhos e necessidades dos seus presidentes de Câmara. Mas também gostava de dar a conhecer os bons exemplos do Distrito de Coimbra, daqueles que estiveram em contra corrente numa altura de maior crise. Por fim, conhecer ainda as forças “invisíveis” de apoio social que sejam estruturantes no Distrito e que dão as respostas que de outro modo ficariam por dar.

 

 


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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