21 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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APMC tem cães especialistas a fazer buscas de pessoas desaparecidas

10 de Março 2023

A causa é nobre e a maior recompensa é ajudar pessoas a encontrar os seus entes queridos que desapareceram. É esta uma das missões da Associação Portuguesa de Mantrailing e Canicross (APMC), que atua nos distritos de Aveiro, onde está sediada, e de Coimbra. Fique a conhecer o trabalho dos voluntários desta associação, única em Portugal, que usa a técnica do Mantrailing (“seguir rastos”) para procurar pessoas desaparecidas, onde o cão usa todas as ferramentas à sua disposição para fazer as buscas.

 

“Aqui não há heróis, há uma equipa unida para fazer a diferença na comunidade”

Muitos são os casos de desaparecimento que ouvimos falar diariamente. É notória a angústia e o desespero para encontrar um familiar ou um amigo que não voltámos a ver. Os media invadem os écrans dos portugueses com estas notícias. As redes sociais “explodem” de partilhas na esperança de alguém ter visto aquela pessoa desaparecida. E muitas são as pessoas que com a sua generosidade trilham caminhos e passam dias a procurar. Mas há também equipas de busca e de salvamento que se unem em prol desse foco. É o caso da Associação Portuguesa de Mantrailing e Canicross (APMC).

Bianca de Matos

Mantrailling. O que será? “É seguir rastos específicos de uma pessoa. Por exemplo, damos ao cão a cheirar uma peça pessoal da pessoa em causa e o animal segue em específico aquele rasto, pois gravou aquele cheiro e é nele que se foca”, explicou António Martins, um dos elementos da Associação Portuguesa de Mantrailing e Canicross (APMC), única em Portugal com esta valência.

Esta é uma Associação sem Fins Lucrativos, sendo também uma Organização de Voluntariado de Proteção Civil. Com sede em Aveiro, a APMC contempla diversas valências, sendo a busca e salvamento uma das causas que abraça. No total, são seis os binómios cinotécnicos (uma dupla constituída por um homem e por um cão), muitos da área do socorro, que de forma voluntária se dedicam aos desaparecimentos, tendo como áreas de atuação, “rápida e efetiva”, os distritos de Coimbra e Aveiro e o concelho da Figueira da Foz. Outros tantos voluntários apaixonados por esta missão também se encontram em formação para também poder partir para os casos reais.

“Esta equipa surgiu de um pequeno grupo de trabalho. Começámos a praticar e a trabalhar para conseguirmos dar algo mais à sociedade, pois percebemos a importância e o impacto que podíamos ter na comunidade”, disse ao “Despertar” o presidente da APMC, Rui Resende.

 “É essencial que a comunidade saiba que existimos”

A partir daí, começaram os treinos e todo um trabalho contínuo em prol da sociedade. “As nossas buscas centram-se em desaparecimentos de zonas rurais, semi-rurais e pontualmente em zonas urbanas, “pois um cão de Mantrailing pode dar indicações em zona urbana através do rasto da pessoa desaparecida”. “Com as nossas capacidades e ferramentas, que são os binómios e pessoas com outros meios, como os Drones (temos parceria com a maior associação do país, a Apdrone), permite-nos em curto espaço de tempo ajudar a encontrar pessoas desaparecidas”, esclareceu o também Chefe de Equipa.

Neste momento, vincou, “estão indivíduos desaparecidos perto das zonas onde atuamos e nós estamos aqui disponíveis para a sociedade”. “É importante que nos conheçam, pois, às vezes, o simples partilhar ou um telefonema pode fazer a diferença”, reforçou Rui Resende.

No ano passado foram sete os casos em que a associação colaborou. Este ano, a equipa de busca e salvamento da APMC, que trabalha em casos reais há apenas um ano, já interveio em quatro casos, tendo vários elementos também participado em operações de salvamento conjuntas com a Polícia de Segurança Pública (PSP), Guarda Nacional Republicana (GNR) e Polícia Marítima. “Podíamos ter atuado em mais”, avançou.

Também o elemento António Martins, com experiência de três anos na busca, acredita que a APMC podia ter tido mais intervenções. “O problema da busca e salvamento em Portugal é que não há interligação entre as autoridades (PSP e GNR) com as equipas civis, que na maioria dos casos desconhece os desaparecimentos pois não há essa comunicação. A maioria dos casos temos conhecimento a partir da divulgação nas redes sociais”, desabafou, reforçando a importância de a comunidade saber que existem e que estão prontos a ajudar.

Além da formação dos binómios, “intensa e progressiva” para que os elementos sejam dotados “das melhores competências”, o foco é “atuar”. “Acredito que nos diferenciamos pelo nosso carácter, pois temos o propósito único de ajudar a sociedade civil sem esperar algo em troca, de estarmos sempre disponíveis”, salientou o presidente da APMC.

 Os amigos de quatro patas

A APMC teve o primeiro cão certificado da Europa pela GNR na área do Mantrailing. “O cão não é uma coisa, é um animal útil não só na relação com as pessoas como nesta função de ajudar a encontrar pessoas e fazer a diferença”, partilhou Rui Resende. Esta é também uma das missões da associação, mostrar que um cão é muito mais que companheiro doméstico, também pode ajudar a salvar vidas.

Loki, Luna, Cacau, Bruma, Nero e Gaston são os amigos de quatro patas e companheiros indispensáveis no sucesso de uma busca e salvamento na APMC. São uma peça essencial da dupla. Mas muito treino também está por trás, pois “um cão de busca demora dois anos a preparar em termos de treino”. “É muito trabalho pela frente”, disse António Martins.

Obediência, sociabilização, psicologia canina e comportamento são alguns dos requisitos. “Não basta ensinar o cão a procurar as pessoas. É preciso muita formação”, destacou.

Quanto a raças, António Martins afirma que “não há específicas, pois está muito relacionado com as apetências e do treino do animal”. Claro que, chama a atenção, “há raças mais propícias”. “As equipas, na sua maioria, trabalham com Pastor Alemão, Labrador e Pastor Belga. O cão tem de ser ligeiro, rápido, inteligente, resistente e com forte interesse pelo odor humano”, sublinhou.

Esta é a Associação Portuguesa de Mantrailing e Canicross que está disponível e sempre pronta para partir para uma busca ou um salvamento. Um trabalho gratificante e voluntário em prol do outro, com a esperança de chegar a casa e saber que um binómio contribuiu para encontrar uma pessoa importante na vida de alguém. É esta a missão da APMC. Assim, se precisar de ajuda pode entrar em contacto com esta associação, através das páginas do Facebook (Associação Portuguesa de Mantrailing e Canicross ou Bruma António).


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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