1 de Maio de 2026 | Coimbra
PUBLICIDADE

Sansão Coelho

AI, BACALHAU, BACALHAU

2 de Abril 2026

Quaresma e Páscoa são férteis em tradições populares, muitas cruzando o aspeto religioso com o pagão. O povo assiste e participa com entusiasmo, mais na chamada província do que nos meios urbanos: recuperam-se a Serra-a-Velha, o Enterro do Bacalhau e a Queima do Judas. A Serração da Velha representa a anulação dos vícios, ou seja, de todo o mal acumulado na primeira fase da Quaresma e, entretanto, há uma preparação para a Páscoa, para a renovação. Por norma, é feita uma sessão com a leitura de um testamento para criticar protagonistas da sociedade cruzando-se, efetivamente, o religioso com a faceta pagã. Uma boneca a representar uma mulher velha, a qual, face ao seu mau comportamento ao longo dos últimos tempos, é condenada e serram-lhe, como castigo, a cabeça, embora tudo varie de local para local. O Enterro do Bacalhau é teatro de rua.  Um cortejo que serve para enterrar o bacalhau de que as pessoas já estariam fartas devido a uma forçada e rigorosa dieta à base de peixe durante os 40 dias da Quaresma. O cortejo tem vários figurantes, como viúvas e carpideiras e um colossal entoar de despedida do bacalhau clamando “Ai, bacalhau, bacalhau”. No final do Cortejo segue uma banda filarmónica interpretando temas fúnebres. Outra tradição é a Queima do Judas que decorre no sábado de Aleluia e representa a traição que Judas Iscariotes fez a Jesus. Um boneco imitando o Judas, cheio de palha, é pendurado num um poste, pelo menos é assim, aqui ao lado, na Figueira da Foz, no Largo de São João do Vale. O símbolo do Judas é queimado e surrado por volta do meio dia, após algumas crianças tentarem subir ao cimo do mastro e ganharem prendas que ali se encontram. Quando o Judas é queimado saem do boneco várias guloseimas. Esta recriação da punição do Judas representa a purificação e expiação dos males, apontados em público, antes da Queima, numa espécie de testamento. Tradição cristã, exercícios pagãos, chegada da primavera, renovação de vida, critica social são algumas vertentes destas benquistas realizações populares, reservatórios de sabedoria e de hábitos de um povo.

 

AI, AI, VIDA CARA

Ai, ai, que a vida está a ficar cara, mas parece haver quem se aproveite do contexto e puxe pelos preços. Será importante que todos nós, consumidores, possamos estar atentos e sensibilizarmos os protagonistas da vida económica a esforçarem-se para evitar os aumentos desnecessários que podem levar à inflação e a voltarmos a ter dias difíceis, aliás, infelizmente, já estão entre nós. Cuidemo-nos.

 

AI, AI, SAUDADE DOS HERÓIS

Nesta sexta-feira, 3 de abril, assinalamos o falecimento de dois heróis: ARISTIDES DE SOUSA MENDES que partiu em 1954, tendo salvo mais de trinta mil pessoas a quem concedeu vistos e que assim escaparam do regime nazi; e do destemido capitão de Abril, SALGUEIRO MAIA, que morreu em 1992. Tal como a época, sobrevestimos de roxo a evocação destes dois inesquecíveis heróis em tempo de recolhimento espiritual.

***

Aos leitores de O DESPERTAR desejo uma feliz Páscoa com paz, amor e harmonia.


  • Diretor: Lino Vinhal

Todos os direitos reservados Grupo Media Centro

Rua Adriano Lucas, 216 - Fracção D - Eiras 3020-430 Coimbra

Powered by DIGITAL RM