Usando o lema de ler para crer, decidimo-nos por encetar uma leitura, na diagonal, do programa político do PCP, para nos situarmos na sua filosofia democrática, patriótica, de esquerda, vanguardista e internacionalista, do qual extraímos os seus termos formais mais flagrantes, para os tentarmos subsumir na sua praxe, mas não conseguimos detetar mais do que uma série de incongruências, de um resumo das quais respigamos os, para nós, atos e expressões mais relevantes:
No dia 6 de Maio último, o Presidente da Assembleia Nacional da Ucrânia, Sr. Ruslan Stefanchuk, veio agradecer e solicitar o apoio de Portugal pela Libertação da Europa, cuja sessão decorreu na A.R. Portuguesa, mas logo que entrou no hemiciclo, os deputados do PCP, num gesto indecoroso e agressivo, levantaram-se das respetivas cadeiras e abandonaram a sala, ofendendo não só o convidado, a imagem de Portugal no mundo e a Mártir Ucrânia, às mãos do déspota, Vladimir Putin, que deu o mote aos seus correligionários da China, Coreia do Norte, Bielorrússia, Irão, Cuba, etc. Segue-se o desenvolvimento, entre aspas, das aludidas incongruências:
“Portugal é uma Pátria independente e soberana, com uma política de paz, amizade e cooperação com os povos de todo o mundo”, exceto do povo da Ucrânia, acrescentamos nós; “internacionalista, porque é um partido dos trabalhadores portugueses, cujos interesses se identificam com os dos outros países na luta contra a exploração capitalista e pela emancipação da humanidade”, – a exemplo da Rússia, acrescentamos”; ”…e inspira as suas posições internacionais no internacionalismo proletário e se assume como um partido da causa universal da Libertação do Homem” – mas essa inspiração ainda não chegou à Ucrânia, à Rússia e a todos os povos escravizados do mundo …, que conste!
“Constituem também, a justo título, importante base do prestígio e influência do PCP, o seu respeito pelos compromissos assumidos perante o povo, a seriedade, a coerência, a elevação moral e política e o sentido das responsabilidades que marcam toda a sua intervenção na vida nacional”; viu-se na receção ao Ilustre Presidente da A.N. da Ucrânia…; “No plano internacional as relações e a intervenção do PCP estão inteiramente ao serviço do povo português e de Portugal, da causa libertadora dos trabalhadores e dos povos, dos ideais de liberdade, independência nacional, progresso social, socialismo e paz” – mas ainda não conseguiu libertar os trabalhadores russos, chineses, coreanos do Norte, do Irão, etc., que são subjugados, explorados e abatidos aleatoriamente aos olhos do mundo e da apregoada causa libertadora como é do domínio mundial; “Porque o PCP está inteiramente ao serviço do povo e da Pátria…, de todos os homens e mulheres progressistas”; só se for para promover as greves, as manifestações forçadas e votarem, indiscriminadamente, contra todas as iniciativas do respetivo governo, que não sejam no seu demagógico e exclusivo interesse, como é, sobejamente, do domínio público.
Aquele sobredito autocéfalo, soberano absoluto, camuflado de um pragmatismo nazi, agiu com uma astuciosa e sinistra justificação, invadindo a Ucrânia com o cognominado disfarce de uma força militar especial, para libertar aquele povo das garras dos nazistas e corruptos, que governam o país, quando a sua única intenção era derrotá-lo e colocar lá um fidelíssimo súbdito, tal como implantou uma “marioneta” na Bielorrússia, para assim derrotar a sua estrutura governativa, conquistar o território e explorar as suas riquezas do solo (cereais) e do subsolo (minerais e terras raras), etc.
E o seu fiel servidor, PCP, vem assistindo, indiferente, à chacina de homens, mulheres civis e crianças, e à destruição das infraestruturas, produtoras dos bens essenciais, das suas habitações, prostrando as vítimas na neve, à chuva e ao frio, numa vingança miserável e devastadora, com a única intenção de banir completamente a raça ucraniana, negando, ostensivamente, o núcleo fundamental da sua narrativa política, que poderá convencer o seu eleitorado, mas duvidamos que colha como “um partido da causa universal da Libertação do Homem”.
Ressalva-se que as escolhas políticas procedem de um ato de liberdade de pensamento, de expressão e de ação, em toda a sua amplitude democrática, como convém, mas não falaciosas!