Não desvalorizando a pesquisa desenvolvida para dar corpo ao artigo “ 28 de Maio de 1926 – O dia em que a noite começou”, no qual o autor adotou o critério de setorizar o período histórico abrangido em três partes, atribuindo o maior relevo àquele que correspondia aos seus objetivos: a 1ª incluía o período decorrido entre o 5 de outubro de 1910 – 1ª República – e o 28 de maio de 1926 – regime democrático; a 2ª, daí até 1932, apodada de Ditadura Militar; e a 3ª.,a partir dessa data até 25/4/74 – o dia em que a noite começou.
Antes de desenvolver o tema desta nossa interceção, voltemos ao denominado regime democrático, a que se reporta a 1ª parte, e anotemos que durante o mesmo (15 anos e 7 meses) abundaram 45 Governos e 8 Presidentes da República, sinónimo de uma democracia “bem experimentada”, inane, vazia, incapaz de sustentar qualquer ato de governação.
É que, se um qualquer regime se propuser governar um país com o sentido de proporcionar o bem-estar de todos os seus concidadãos, não pode conceder amplas e descontroladas liberdades, a qualquer título, sob pena de jamais conseguir sustar a revolta entre os ansiosos de poder, através das amarras do corte dos excessos das liberdades, até ao limite do necessário, e de neutralizar os anarquistas e os agitadores profissionais, a soldo de interesses inconfessados – assassinos, salteadores, etc. –, sem o que não consegue realizar a obra a que, com sentido de Estado, se propôs, dando assim oportunidade àqueles mentecaptos, franqueando-lhes as portas para a anarquia, cujo ciclo só termina quando outro regime autoritário se estabelecer, em socorro das vítimas do regime anterior.
Aquele historial terá evidente conotação com o arranque da democracia conquistada em 25/4/74, e que, infelizmente, para nosso desprazer, tem sido um antro de instabilidade governativa, com os partidos em agitação constante, e os anarcossindicalistas, a disputarem o poder a qualquer preço – de costas voltadas para o povo – , onde abunda a corrupção e a imoralidade que, como era de esperar, tem abalado a crença dos excluídos deste suposto regime democrático.
No contexto do dia em que a noite começou, o objetivo do autor foi trazer à colação a parte negra desse regime antidemocrático, que o foi, efetivamente, mas por um imperativo de transparência democrática, já não aceitamos que não tivesse ressalvado a grande obra que, em simultâneo e rapidamente edificou, nas finanças, na economia, no ensino, na justiça, na ordem, etc., que colocou Portugal à frente de países de maior relevo e até os deixou inusitados com o milagre que tão desembaraçadamente concebeu.
A propósito dos eventuais “cromos”, seduzidos pelo canto da sereia, diz o povo que a carapuça só serve a quem a enfia, mas quem a ela se sujeita deve sustentar a sua experiência, e opinião formada, para não a encafuar e poder dizer que, “quem viveu no Portugal anterior e posterior a 1974, tem autoridade e experiência próprias do que é uma ditadura e dificilmente se deixará seduzir pelos cantos da sereia – o dos ditos inimigos da democracia”.
O articulista toca os dois extremos na sua avaliação, porque “nem o dia em que a noite começou” (regime ditatorial), nem o dia iniciado no 25 de abril implantaram alguma forma verídica de regime democrático – , mas sobretudo este, pelo alarde que fez dessa metáfora, como um grande triunfo alcançado: com as nacionalizações de assalto, as levas de demissões, supostamente fundamentadas na ideia de fascistas, as FP 25, que prendiam, condenavam e até matavam, sem culpa formada, os seus não apoiantes, os exílios forçados para fugirem à sua fúria, etc., etc.- cujo resultado espelha bem a intenção que lhes serviu de mote para impor a sua estratégia governativa, e que, para infelicidade de muitos, teima em manter, tal é o proveito que escorre, para as suas bolsas.
E quem fala e/ou escreve sem experiência própria perde vantagem em relação a quem viveu, trabalhou e folgou tranquilamente, e assim transcendeu o dia em que a noite começou; e, em tais circunstâncias, desorienta-se duplamente porque carece do termo existencial de comparação, que tenta suprir através do que ouviu ou leu nas obras da sua crença, e que não se ajustam ao pensamento e à crença de outros, divergências que, aliás, alimentam a democracia a que nós também aspiramos….
(Cfr. nº. 1734 da “Visão”)