A Metro Mondego pretende avançar com a criação de um canal dedicado para o ‘metrobus’ entre os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e o Hospital Pediátrico. A Infraestruturas de Portugal (IP) já recebeu indicações do Ministério das Infraestruturas para avançar com os estudos do projeto, que não estava previsto na rede atual.
O objetivo do ajuste é garantir o cumprimento dos rigorosos rácios de regularidade e pontualidade exigidos pelo contrato de serviço público. Segundo Leonel Serra, presidente da Metro Mondego há cerca de dois meses, o contrato estipula que 95% das circulações não podem ter atrasos superiores a três minutos, exigindo-se ainda um índice de regularidade de 98%.
Face ao tráfego naquela zona da cidade, Leonel Serra entende que a ausência de canal dedicado na ligação entre as duas unidades hospitalares aumenta a probabilidade de atrasos e “um projeto com 42 quilómetros pode ficar comprometido por cerca de um quilómetro e meio”.
A proposta já foi comunicada à presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, que se manifestou favorável à intervenção. O presidente da Metro Mondego acredita que é possível executar a obra a tempo da conclusão da Linha do Hospital, cuja entrada em funcionamento está prevista para o primeiro trimestre de 2027. Contudo, salvaguardou que, caso surjam imprevistos, a operação arrancará até aos HUC, e eventualmente até ao Pediátrico, realizando-se a obra do canal exclusivo ‘a posteriori’.
Testes e expansão da rede
O sistema de ‘metrobus’, que serve os concelhos da Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra, prevê novidades importantes para o final do verão. A ligação a Coimbra-B e a abertura parcial da Linha do Hospital (até à Praça da República) deverão entrar em fase de testes em meados de agosto, com o arranque da operação comercial calendarizado para o final desse mesmo mês. Na mesma altura, prevê-se a retoma da circulação em Serpins (Lousã), que se encontra suspensa devido ao deslizamento de um talude.
A chegada à Praça da República representa, contudo, um desafio logístico acrescido para a empresa devido à falta de espaço para estacionamento e parqueamento de veículos na zona. “Ali, tem de ser sempre chegar, fazer o serviço comercial e seguir”, explicou Leonel Serra, confirmando que o planeamento desta operação específica ainda está a ser estudado.
Troço suburbano sem alterações
Questionado sobre possíveis alterações no troço suburbano para acelerar as ligações entre a Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra, o presidente da Metro Mondego descartou essa hipótese. Leonel Serra esclareceu que o traçado nestas zonas funciona em via única com pontos específicos de cruzamento, o que dificulta modificações.
Além disso, devido à elevada capacidade de arranque e paragem rápida dos veículos do ‘metrobus’, em comparação com os comboios tradicionais, a margem de ganho de tempo seria praticamente nula. O responsável apontou ainda um problema de articulação de horários à entrada de Coimbra: “Tudo está pensado numa lógica de cinco em cinco minutos [em hora de ponta]. O autocarro [que viesse de Miranda] teria de estar à espera e já não encaixava”, concluiu.