29 de Maio de 2026 | Coimbra
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Paulo Ilharco

AMPUTAÇÃO

29 de Maio 2026

 

Já nasci amputado. Agora mais.

Tamanha dor só dilacera o peito.

É tarde e, quando com Morfeu me deito,

Ascendo ao pedestal dos imortais.

 

Regurgitadas rimas são os ais

Das palavras-veneno com efeito.

A maldição da verve é nó desfeito

Na garganta dos olhos marginais.

 

Todos os dias morro mais um pouco.

Minha maior doença é não estar louco

Na lágrima rebelde que me inventa.

 

Sou pai de mim. De mim também sou mãe.

Vê, Deus, que a amputação Te corre bem!…

– Dás-me versos? Devolve-me a placenta!

 

Ao próprio, no dia do seu 1.º aniversário (26/5),

assinalado com a ausência da sua Única, Querida e Doce

Musa Inspiradora.


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