O Município de Coimbra registou uma redução significativa no número de pessoas em situação de sem-abrigo, com uma queda de 5% entre 2024 e 2025 e uma diminuição expressiva de 31% quando comparada com os dados de 2023.
De acordo com o relatório do Núcleo de Planeamento e Intervenção em Sem-Abrigo (NPISA), apresentado na segunda-feira em reunião do Executivo camarário, a cidade contabiliza agora 187 pessoas nesta condição, quando, em 2024, se registavam 197 e, em 2023, 272 pessoas.
Do total atual, 95 pessoas encontram-se em situação de “sem teto”, vivendo no espaço público ou em abrigos de emergência, e 92 são consideradas “sem casa”, por se encontrarem em alojamentos temporários.
O documento revela que a totalidade das pessoas sinalizadas é acompanhada por técnicos gestores de caso através de Planos Individuais de Intervenção, sendo o perfil predominante o de homens com idades compreendidas entre os 45 e os 64 anos.
Entre os fatores de vulnerabilidade mais comuns destacam-se a ausência de suporte familiar, o consumo de substâncias, o desemprego ou precariedade laboral, dificuldades económicas e problemas de saúde mental, com a maioria dos casos a revelar a acumulação de vários fatores de vulnerabilidade. Apesar da tendência decrescente, reforçada pela redução de refeições servidas no Centro de Reforço Solidário de Coimbra (CRESC), o NPISA alerta que a exclusão habitacional exige respostas estruturais contínuas, especialmente no acesso à habitação e na inclusão socioprofissional.
Em 2025, o CRESC assegurou 19.535 refeições (uma diminuição de 2.754 face a 2024), funcionando junto à Casa do Sal.
Durante a semana, o funcionamento do CRESC é agora na Associação Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel.
Número de idosos aumenta
Foi ainda apresentado o relatório da Comissão Municipal de Proteção ao Idoso de Coimbra (CoMPIC), que passou a ter um total de 53 casos ativos em 2025, mais 15 do que em 2024.
As denúncias de violência e maus-tratos representam a maioria das ocorrências (39%), seguidas de situações de vulnerabilidade clínica e falta de competências dos cuidadores informais. Face a estes números, a vereadora da Ação Social, Margarida Mendes Silva, anunciou uma reorganização da CoMPIC para criar um modelo mais preventivo e eficaz, focado numa resposta célere e mais próxima da população idosa.
Esta reestruturação da CoMPIC prevê a criação de dois núcleos distintos: um alargado, destinado à reflexão estratégica e mobilização de diversas entidades parceiras, e outro restrito, com caráter operacional para intervenções de emergência.
A mudança de paradigma, como sublinhou Margarida Mendes Silva, visa abandonar uma postura meramente reativa perante as denúncias de insalubridade ou abuso, apostando antes numa rede de vigilância ativa que coloque a dignidade da pessoa idosa no centro das políticas públicas locais.