Já nasci amputado. Agora mais.
Tamanha dor só dilacera o peito.
É tarde e, quando com Morfeu me deito,
Ascendo ao pedestal dos imortais.
Regurgitadas rimas são os ais
Das palavras-veneno com efeito.
A maldição da verve é nó desfeito
Na garganta dos olhos marginais.
Todos os dias morro mais um pouco.
Minha maior doença é não estar louco
Na lágrima rebelde que me inventa.
Sou pai de mim. De mim também sou mãe.
Vê, Deus, que a amputação Te corre bem!…
– Dás-me versos? Devolve-me a placenta!
Ao próprio, no dia do seu 1.º aniversário (26/5),
assinalado com a ausência da sua Única, Querida e Doce
Musa Inspiradora.