26 de Junho de 2022 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

Salgueiro Maia: O Herói MAIOR da Revolução

9 de Junho 2022

Cumpri o serviço militar obrigatório. muito contrariado como Capitão Miliciano, em locais de guerra muito perigosos e completamente isolados. Foi nestas andanças que vim a conhecer o Capitão Miliciano Carlos Martinho, também sujeito a matas e terrenos de guerra, bem mais acesa e perigosa comparativa, com a minha. Basta dizer que esteve em Guidage, o lugar de guerra permanente, mais tarde abandonado pelos soldados portugueses.

Contou-me o Capitão Martinho a propósito de Salgueiro Maia, Capitão do Quadro Permante::

«Começamos a picar o itinerário Binta-Guidage, para que o Salgueiro Maia pudesse sair de Guidage. Depois veio então o Salgueiro Maia, para baixo, com outro Capitão. Eu estive com ele aí uma hora, talvez nem isso, já não me lembro bem… «Sabe que há muito descontentamento nosso», diz-me ele. «Eu sei que há», disse eu. Replica ele: «isto não se resolve com a guerra, nós ficamos cá todos… eu chego lá, à Metrópole e arrebento com esta merda toda». Eu matutei de imediato: «este gajo está apanhado. Está bem, está bem, os Capitães do quadro estarem descontentes, e chegar à Metrópole e dar cabo disto tudo! …». Vendo o meu cepticismo repetiu: «Garanto-te pá, tem de ser, não há outra maneira». E pronto, o gajo lá se foi embora, com a Companhia dele e eu parti para Guidage. Cheguei, ao quartel estava todo arrasado; foi um tormento viver ali.

Mais tarde fui para Bigene» »

Disseram-me que «na madrugada de 25 de Abril de 1974, durante uma parada na Escola Prática de Cavalaria em Santarém, proferiu Salgueiro Maia, o célebre discurso: «Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui.»

Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas de forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente. Depois, seguiram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura. Sobre o Terreiro do Paço, o símbolo do poder.

Este foi o homem que abraçou a revolução e cumpriu as promessas ditas ao Martinho, na estrada mais perigosa da Guiné, onde morrerem muitos soldados nossos. A estrada do sangue. Cumpriu tudo o que disse ao Capitão Martinho.

Este último combate foi o mais responsável de todos que travou.

Por isto Salgueiro Maia é o meu herói.

Mais, vai ficar no imaginário dos portugueses e na história.

Palavra dada e consumada, e, praticada, é o marco dos HERÓIS. Salgueiro Maia cumpriu-a. PONTO.


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