Os animais são essenciais no ecossistema para a manutenção da biodiversidade. A mão humana tem vindo a degradá-lo e tem contribuído para a extinção de inúmeras espécies que prejudica não só a biodiversidade como também a economia do globo.
A questão que inúmeras vezes se coloca é: de quem será a culpa da extinção das espécies? Muitas vezes, não é colocado o “peso” na mão humana que consecutivamente mata animais de formas “horrorosas mantendo-os em constantes matadouros quando estes não pediram para morrer”, refere Mia de Carvalho, vegana e ativista pelo direito dos animais, para que haja alimento quando há diversas alternativas à proteína animal que especialistas referem como importantes para a saúde do ser humano.
A Associação Vegetariana em Portugal indica que 9% da população portuguesa decidiu adotar hábitos vegan, isto é, ter uma alimentação 100% vegetal.
“A dieta vegana não engloba nenhum alimento de origem animal, nomeadamente leite, ovos, queijo ou mel. Ao contrário do que as pessoas pensam, os veganos não comem só alface. Simplesmente excluímos todos os produtos animais substituindo-os pelos de origem vegetal, pois todos os nutrientes que necessitamos para ter uma alimentação saudável e equilibrada podem ser obtidos na terra, seja nos vegetais, nas leguminosas, nas sementes, nos frutos secos, nas algas, etc”, conta ao Despertar Mia de Carvalho.
Todos os alimentos em que seja necessária a exploração e o sofrimento do animal são excluídos do estilo de vida vegano e é o que move os indivíduos que optam por este tipo de alimentação.
Quando questionada do porquê de ter tornado a sua alimentação à base de vegetais, sugeriu à equipa do Despertar que visionasse um documentário, que está disponível no Youtube, chamado Dominion. “Após ter visualizado este filme em conjunto com a minha família optámos todos por deixar de comer animais. Em 2019, após a minha vigília às portas de um matadouro para testemunhar todos aqueles “indivíduos” que iriam ser mortos no dia seguinte, apercebi-me que a indústria do queijo e da carne, em que grande parte dos animais eram vitelos que, por serem machos e não serem úteis para a indústria leiteira foram enviados para o matadouro para serem vendidos enquanto carne. E, após este dia, adotei uma dieta 100% vegetal e comecei a fazer ativismo pelo direito dos animais. Só me arrependo de não ter tomado esta decisão mais cedo”, confessa a vegana.
Onde é que os veganos vão buscar a “proteína” se só comem vegetais?
Ao contrário do que é pensado pela sociedade, a proteína não está apenas presente nos animais. Muita gente se foca nessa questão, contudo “não é conhecida nenhuma pessoa vegan com défice da mesma”.
“A proteína está presente em imensos alimentos que já consumimos diariamente, tais como o feijão, as sementes e os frutos secos, por exemplo. Para além destes, existem ainda outras fontes como o tofu (alimento feito a partir de grão de soja), o seitan (glúten), o tempeh (realizado à base de grãos de soja fermentados) e a soja. Depois, é dar asas à imaginação e confecionar os pratos ou cozinhá-los de forma tradicional trocando a carne por estes últimos”, realça Mia de Carvalho.
No supermercado é possível adquirir estes alimentos, porém ao contrário do que se pensa os custos não são assim tão elevados tendo em conta a vasta oferta de vegetais e leguminosas existentes nas grandes superfícies.
“Uma dieta 100% vegetal é muito mais económica que uma carnista. A ideia errada de que os produtos vegetais são mais caros surge do preço dos produtos processados como a pizza, salsichas de soja ou hambúrguer de proteína de ervilha. Se optarmos por comprar uma lata de feijão preto e fizermos o hambúrguer em casa fica mais económico do que o comprar já feito”, sublinha.
Mas os restaurantes têm opção para quem come apenas vegetais?
Atualmente, há cada vez mais restaurantes a aderir a ofertas vegetais no menu e o número de estabelecimentos exclusivamente vegan está a aumentar, segundo a Associação Vegetariana Portuguesa.
“É óbvio que há sempre restaurantes mais tacanhos que a única opção vegetal é a alface, como se fosse um prato completo ou elaborado. Infelizmente, nem todos decidem evoluir e ficam estagnados no tempo. Contudo, há cada vez mais ofertas vegetais nos restaurantes e as próprias cadeias de “fast-food” já se aperceberam que o paradigma alimentar está a mudar, e elas próprias já vão tendo opções 100% vegetais. Portanto, e ainda que lentamente, a mudança na sociedade está a acontecer e vemos as ofertas de menus totalmente vegetais a aumentarem”, conta ao Despertar.
Apesar de os restaurantes serem um tópico bastante abordado quando se fala em alimentação vegan, também questionamos como é que os convidados (que ingerem carne) de Mia de Carvalho se alimentam em sua casa. Tendo em conta que é contra a toda a exploração que é feita aos animais em prol da gula e do egoísmo humano, conforme referiu algumas vezes, lá em casa não se cozinham pratos com ingredientes de origem animal.
“Claro que não cozinho carne, é sempre uma forma de dar a conhecer pratos novos. As próprias pessoas acabam por ficar curiosas por irem provar refeições diferentes daquilo que estão habituadas e vão recetivas à experiência. Até agora não tive ninguém a dizer que não voltaria a jantar em minha casa por não gostar da comida”, conta-nos, rindo-se.
Para Mia de Carvalho esta opção é muito mais que alimentar. “As pessoas intitulam os veganos de extremistas quando o extremo é matar animais e causar-lhes todo o sofrimento, que sabemos que acontece na indústria animal somente por gula. Somos sim fundamentalistas, pois o direito à vida, de ser livre, à justiça, a um habitat e ao resgate são direitos fundamentais que deveriam ser verdades universais.”
Os veganos defendem a vida, principalmente quando a morte não é escolhida e é dolorosa. “O Homem mata quem não quer morrer!”