No passado dia 16/7 decorreu na Rua Ferreira Borges uma cerimônia pública, em que faziam parte da mesa de honra os senhores Reitor da UC, Manuel Castelo Branco, presidente do ISMT e senhoras Helena Teodósio, presidente do CIM, e Ana Abrunhosa, presidente da Autarquia de Coimbra, à qual acorreram em tropel vários repórteres da comunicação social, dos quais destacamos o sempre icástico “O Despertar”, com o seu padrão de atempada e pronta missão de bem informar os seus leitores.
O tema foi redundante, bastante, para se entender os propósitos dos oradores, que sublimaram os benefícios da integração do ISMT na UC, proclamando que ambos estavam a trabalhar, em articulação, para o bem comum, isto é, no sentido de aquele vir a fazer parte da Universidade, ganhando cumulativamente estas instituições, sendo, portanto, aquele um dia histórico para Coimbra, com a dita integração, em Setembro, de dois edifícios de Torga, na baixa, cedidos pela Câmara, com vida académica e estudantes – benefício mútuo para a cidade, para a região e para o ensino superior.
O senhor presidente do ISMT definiu, na oportunidade, que o mesmo está “juridicamente” classificado como ensino superior “privado” e, simultaneamente propriedade do CIM, entidade instituidora pública, o que, além de confundir os ouvintes, constitui uma incongruência insanável, pelo menos por agora, a intuir-se pela situação atual do processo, a aguardar pela ocasião em que o senhor Reitor, já mandatado pelo C. G. da Universidade, acabar de estudar o melhor modelo de integração.
Este imbróglio não é de somenos importância para efeitos de financiamento, direto e/ou indireto, pelo Orçamento do Estado, sendo certo que, para já, o CIM tem a obrigação de assumir os meios financeiros adequados ao funcionamento, traduzindo-se num financiamento orçamental regular? É que, sendo a CIM entidade pública, a integração do ISMT na Universidade, com todos os recortes de encargos – dos motivos e benefícios esperados, da expansão para a baixa de Coimbra, através da ocupação de dois edifícios antigos concedidos pelo Município, etc.,- acarretam aumento de avultadas despesas, tanto para o CIM e CMC como para o orçamento da UC, os quais por esse facto, têm que ser reforçados, refletindo-se, direta e/ou indiretamente, no Orçamento do Estado, suportado, obviamente, pelos contribuintes deste depauperado país.
No que ao comportamento do senhor Reitor, nesta contenda, diz respeito não estamos sós, porquanto o senhor dr. António Vilhena, escritor, lançou um artigo no Diário de Coimbra, de 23/7, último, sob a epígrafe “Assim Não, Senhor Reitor”, o qual nos encaminha para os meandros da integração do ISMT na UC, cujo texto insinua a sua falta de gentileza para com a Faculdade de Psicologia e de Serviço Social e para as Faculdades de Letras e de Economia, ao não lhes perguntar o que pensavam sobre esta possibilidade? Quais seriam as respostas destas e o que pensavam sobre essa possibilidade? Mas incompreensivelmente nada pôde ser conhecido e avaliado. Salva-se pelo menos esta acutilante e elegante reprimenda, que é também um repositório de boas maneiras de como se deve proceder eticamente…
Concluímos, afirmando que não nos move qualquer acrimónia ou indiferença em relação ao ISMT, até porque uma medida que contribua para o nosso enriquecimento cultural é sempre de louvar, desde que o seu preço não agrave ainda mais o fardo fiscal que as vítimas do fisco sobrecarregam e de que, principalmente, aquele Instituto beneficia.
(Cfr. “O Despertar” e as cadeias de televisão)