O Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) já deu início ao seu novo ano letivo 2026/2027 e a grande mudança está precisamente no novo edifício da instituição, situado na Rua Ferreira Borges, em plena Baixa de Coimbra, que marcou, na segunda-feira (14), o início de uma nova etapa na vida académica da instituição e no processo de revitalização do centro histórico da cidade.
Manuel Castelo Branco, presidente do ISMT, referiu durante a sessão de boas vindas aos novos alunos que esta mudança foi “uma luta de vários anos que parecia inconcretizável”, contudo apenas foi possível devido à colaboração e sobretudo à “comunhão amigável” com a Câmara Municipal de Coimbra.
“Isto representa o início de um novo destino. O Miguel Torga sempre foi uma escola da cidade e da região de Coimbra, no coração da cidade, mas em tempos em que o coração tinha comunidade”, lembrou o responsável.
Nesta primeira fase, as novas instalações na Rua Ferreira Borges, com acesso de entrada ao edifício também pela Praça do Comércio, acolhem simultaneamente até 250 alunos por bloco horário, estimando-se que entre 800 e 1.000 estudantes circulem diariamente pela Baixa.
O processo de mudança continuará a ser progressivo até 2027, mantendo-se o polo de Celas, na Alta de Coimbra, em funcionamento complementar parte das aulas, assim como os laboratórios, observatórios e gabinetes ligados a projetos e a serviços à comunidade. Os serviços administrativos e académicos vão instalar-se este mês definitivamente num dos edifícios da Baixa, assim como a direção do ISMT, os departamentos de escola e a sala de professores.
A articulação entre os dois centros será assegurada pela rede do Metrobus, que permitirá ligações em apenas cinco minutos.
Revitalização urbana
A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, destacou a importância estratégica e o impacto direto que a chegada dos estudantes do ISMT terá no quotidiano da cidade. “Esta é uma passagem faseada, mas estamos a falar de quase um milhar de jovens a passar diariamente na Baixa, que só conseguimos recuperar com pessoas. Naturalmente que recuperar edifícios é bom, mas se não tivermos o espaço vivido, não conseguiremos retirar a Baixa de algum abandono”, afirmou a autarca, reforçando que “a rua nunca mais voltará a ser a mesma”, dividindo o dinamismo local num período “antes e depois do Instituto Superior Miguel Torga”.
Para a autarca, este momento “representa uma revitalização no centro histórico que vai dar uma nova vida, nova dinâmica e nova vitalidade à Baixa da cidade”.
Também Helena Teodósio, presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região Metropolitana de Coimbra, proprietária do ISMT, classificou esta iniciativa como “um casamento feliz”, salientando a dupla vantagem de garantir melhores condições de ensino e de dar um novo fôlego ao comércio e à vida comunitária.
“Estas dezenas e centenas de estudantes que agora diariamente vão estar aqui a percorrer todas estas ruas vão alterar completamente não só a parte comercial, mas sobretudo dar uma vida diferente em termos de imagem a tudo aquilo que pretendemos para a cidade”, declarou.
Sobre o futuro institucional e as conversas em curso relativamente a uma possível integração do instituto na Universidade de Coimbra ou noutra estrutura, Helena Teodósio assegurou que as negociações decorrem com serenidade para garantir a segurança de alunos, professores e funcionários, prevendo-se que o atual ano letivo seja decisivo para a tomada de uma posição final.