2 de Dezembro de 2021 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Um sentimento

13 de Dezembro 2019

Eu tenho uma visão clara e não agónica sobre Deus e goteja em mim um profundo e longo desejo de viver dia a dia o exemplo de Jesus na sua missão de praticar o bem quando percorreu os caminhos da dúvida nas terras da Palestina, de Jerusalém, do mundo incrédulo, dum mundo fragmentado na sua incipiente religiosidade onde houve práticas de paganismo.

Tenho as minhas interrogações mas em análise histórica e a clareza dos conceitos aceito a existência de Deus, sem dogma, como um santo irmão.

Tive em tempos o coração denegrido pela dúvida e assim quase a impossibilidade de dialogar com o criador do Universo no conceito de todas as religiões e no meu conceito dos homens de boa vontade.

E assim deixei de carregar a cruz do ceticismo infinitamente trágico que me afundava tantas vezes num abismo onde se contorcem os “malditos” de Dante!

Este é parte do meu pensamento racional numa altura que entrei na chamada “velhice” da vida!

Este desabafo é o meu sentir que se aproxima a partida para o Além… Não me seduz na sua intimidade displicente escrever a crónica ou o artigo sem o argumento fundamentado na verdade… nem que a verdade seja muito subjetiva.

As palavras vazias vencidas, inertes ou desvirtuadas nunca me seduziram nas décadas que escrevi para O Despertar, desde Lisboa ou Paris, longos anos na ausência de Coimbra devido ao trabalho!

Estou na hora da despedida e a minha colaboração foi um ensinamento do que aprendi com mestres na missão formadora de jornalismo.

A minha colaboração foi um ato de amor a Coimbra!

Saí sempre enriquecido com gente ilustre de todos os campos. Há novos valores no corpo redatorial do mais antigo jornal de Coimbra. O jornal é mesmo uma escola dos valores literários.

E foi nesse longínquo tempo que escrevi dois livros.

Viver Coimbra nas páginas do Despertar é quase mágico.

A idade não perdoa e vou afastando de mim a propensão de escrever para os jornais, mormente O Despertar que faz parte do meu espírito e até da minha cultura quando escrevi durante anos artigos sobre os nossos escritores, poetas, pintores, músicos, gente de trabalho criativo, o singular tecido humano da imprensa portuguesa…

E enquanto houver um sopro de vida não deixarei de ter o nosso jornal. Faz parte da minha filosofia, da minha própria religiosidade!


  • Diretora: Zilda Monteiro

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