16 de Março de 2026 | Coimbra
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Troço da A1 colapsa em Coimbra após rutura de dique no Mondego

13 de Fevereiro 2026

Um troço da Autoestrada 1 (A1) desabou na noite de quarta-feira, ao quilómetro 191, na zona dos Casais, em Coimbra, na sequência do rompimento de um dique na margem direita do rio Mondego. O abatimento ocorreu na placa sobre o aterro que dá acesso ao viaduto naquela área.

O colapso levou ao corte imediato da circulação nos dois sentidos entre os nós de Coimbra Norte e Coimbra Sul, por razões de segurança. A GNR confirmou danos significativos na plataforma rodoviária junto ao local da rutura e indicou o Itinerário Complementar 2 (IC2) como principal alternativa. A concessionária sugere ainda os corredores A8/A17/A25 para os automobilistas que seguem no sentido Norte-Sul.

Segundo o comandante da Proteção Civil, Carlos Luís Tavares, a força e a pressão das águas sob a estrutura provocaram a erosão do solo que sustentava a via, formando uma cratera que comprometeu gravemente a infraestrutura. O elevado caudal do Mondego, superior a 2.100 metros cúbicos por segundo, impediu até ao momento uma avaliação completa dos danos.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou que a situação estava a ser monitorizada há vários dias pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e classificou o fenómeno como “absolutamente extraordinário”, sublinhando a “velocidade e violência das águas”. O governante adiantou que serão necessárias “seguramente semanas” para repor a circulação, uma vez que, enquanto o caudal não baixar, não será possível realizar a intervenção estrutural definitiva.

O colapso do dique agravou o risco de cheias na região e está a causar forte impacto na mobilidade local. A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, classificou a situação como “um grande transtorno”, alertando para as profundas alterações na circulação numa cidade já marcada por intenso tráfego.

Com esta situação, também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que esteve presente em Coimbra, juntamente com Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, e Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, alertou para outras ruturas que poderão acontecer. “Este cenário provocará naturalmente um efeito de cheia, que será um efeito lento, que já está a começar a atingir populações, quer no concelho de Coimbra, quer de Montemor-o-Velho. Por isso, não quero deixar de alertar para a possibilidade de outras ruturas poderem vir a acontecer nas próximas horas”, referiu.

As áreas ribeirinhas de São Silvestre, Quimbres e São Martinho de Arvore, e a área urbana de Montemor-o- Velho são os principais focos de preocupação das autoridades em risco para possíveis inundações.

Recorde-se que, em 2001, o Baixo Mondego sofreu com as cheias que provocaram a rutura dos diques do leito central do rio. Com a chuva intensa a um nível considerado excecional e, depois, as descargas da barragem da Aguieira aumentaram ainda mais o caudal do Mondego. Montemor-o-Velho foi o concelho mais atingido com ruas transformadas em rios, campos alagados e a queda de uma ponte com mais de um século.

 


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